Caso Lula vença ou perca a eleição, não poderá tentar um novo mandato. Se for derrotado, terá 84 anos em 2030 e dificilmente concorreria de novo. Além da idade, perderia força diante de um fracasso agora. E, no caso dele e do PT, como já disse aqui várias vezes, o partido e Lula nunca quiseram ou conseguiram construir um sucessor. Sempre foi só Lula. E é muito difícil que consigam fazer isso agora, em quatro anos, por conta do tempo curto e diante da força do antipetismo.
Do lado do bolsonarismo, se Flávio ganhar, terá quatro anos para se fortalecer e poderá tentar a reeleição. Afinal de contas, essa promessa de ficar apenas um mandato talvez seja uma das mais descumpridas por políticos Brasil afora. Lula foi um deles, para ficar em um exemplo só. Há também a expectativa de que, se o fim da reeleição for aprovado, como defende Flávio durante a campanha, seu mandato seja estendido. Com um Congresso dominado pelo bolsonarismo, Flávio poderia aprovar o que quisesse. Pelo tempo que quisesse. Inclusive, extinguir a regra que proíbe parentes de sucedê-lo na Presidência. Quem sabe até para ter o pai, Jair Bolsonaro, de novo na disputa? Aí, a família ganharia força para se perpetuar no poder. E a direita tradicional? Encolheria. E nomes como o de Tarcísio? Não teriam espaço. Para o bolsonarismo, sangue é o que importa.
Mas e se Flávio perder? Aí, há a expectativa de que a família enfraqueça ou mesmo de que o bolsonarismo precise ser, ao menos, suavizado. Nesse cenário, ganha musculatura a tese de uma retomada de espaço pela direita menos extremada e que dialoga melhor com o centro. Seria talvez a primeira chance real da terceira via? A ver.