A deputada federal Erika Hilton afirmou que a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa um dos principais desafios da esquerda brasileira para os próximos anos.
Em entrevista ao programa Frente a Frente, da Folha e do UOL, a parlamentar avaliou que existem quadros tecnicamente preparados dentro do campo progressista, mas que poucos conseguem estabelecer a mesma conexão popular construída por Lula ao longo da carreira política.
“Não é fácil suceder Lula, porque tem muita gente boa, tecnicamente preparada, talentosa, mas que não tem carisma, que não tem essa sedução com a sociedade, que não é cativante aos olhos da sociedade”, afirmou.
A declaração ocorre em meio às discussões sobre a sucessão presidencial e a formação de lideranças para o período pós-Lula. Aos 80 anos, o presidente segue sendo a principal referência eleitoral da esquerda brasileira e ainda não há consenso sobre quem poderá ocupar esse espaço futuramente.
Deputada vê etarismo em críticas ao presidente
Durante a entrevista, Erika também saiu em defesa de Lula diante das críticas relacionadas à idade do presidente. Segundo ela, parte dos ataques feitos pela oposição tem caráter etarista.
“Eu arrisco até dizer que o presidente Lula, com seus 80 anos, está melhor do que eu com os meus 33. O homem está até marombadinho, está musculoso, eu não tenho mais massa magra. A tentativa etarista de colocar a idade do presidente Lula como um impeditivo é algo ridículo”, declarou.
Nos últimos meses, Lula tem utilizado agendas públicas e até publicações nas redes sociais para destacar sua rotina de exercícios físicos e rebater questionamentos sobre sua capacidade de disputar uma eventual nova eleição.
Pressão sobre o Senado por fim da escala 6×1
A deputada também comentou a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, tema defendido por ela e aprovado pela Câmara dos Deputados.
Segundo Erika Hilton, caso a matéria não avance no Senado, poderá haver mobilizações populares para pressionar a Casa e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
“Se não houver encaminhamento da proposta, nós vamos dialogar com a população e ampliar a mobilização”, indicou a parlamentar.
Ela também rejeitou a avaliação de que a pauta tenha caráter eleitoral e afirmou que a discussão envolve direitos trabalhistas e qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.