Na tarde do segundo dia do Leader Shift 2026, nesta quarta-feira (10), no Minascentro, em Belo Horizonte, a 98 News conversou com Danielle Marques, palestrante do evento, Forbes Under 30 e fundadora do Hub do Silêncio ao Silício. Em sua apresentação, ela tratou do uso de dados e do ambiente de decisão nas empresas e defendeu que não existe inovação sem combinar dois ingredientes: tecnologia e diversidade.
IA e dados com cautela estratégica
Para Danielle, ainda há resistência das empresas em usar a inteligência artificial no tratamento de dados — e parte dela tem fundamento. “Hoje existe uma resistência, porque é preciso ter cuidado com a segurança, principalmente quando você trabalha com dados complexos e sensíveis. No Brasil, temos a LGPD”, afirmou. Mesmo assim, ela defende que a tecnologia já pode ser incorporada à rotina de forma gradual. “As ferramentas estão aí e precisam ser usadas para conseguir escala, diminuir a carga cognitiva dos funcionários e tirar a parte mais operacional, para trabalhar numa vertente mais estratégica”, disse, defendendo que as empresas façam pequenos testes, sempre observando o que não pode ser repassado a esses sistemas.
Diversidade como motor da inovação
Outro tema central da conversa foi a diversidade — em especial a presença de lideranças negras nos ambientes de inovação e tecnologia, que, segundo ela, sofreu um retrocesso nos últimos anos. Danielle argumenta que times plurais são uma vantagem competitiva, sobretudo em um país tão heterogêneo. “Tem vários Brasis dentro do Brasil. Você não vai conseguir dialogar com uma região se não tem, no seu time, pessoas que se sintam representadas”, apontou. Para ela, repertórios distintos são a base de qualquer novidade: “É impossível ter inovação e novas ideias com pessoas que pensam igual e têm repertórios iguais”.
A palestrante destacou que ter pessoas diversas na equipe não basta — é preciso criar um ambiente em que elas se sintam à vontade para se posicionar. “Não adianta só ter a pessoa no time; você precisa dar voz e espaço para ela se desenvolver e se sentir confortável de levantar a mão”, afirmou. Esse espaço, segundo Danielle, pode evitar prejuízos. Ela citou o exemplo de lançamentos de produtos que fracassam por falta de uma visão divergente na sala: alguém que, a tempo, diria que a ideia não funcionaria. “Um time diverso evita crises que poderiam ter sido evitadas”, resumiu.
Da cautela com os dados à pluralidade de vozes, a fala de Danielle Marques costurou os dois eixos como partes de um mesmo trabalho de integração e liderança. O painel integrou a programação da tarde do Leader Shift 2026, que reúne mais de 2 mil pessoas no Minascentro. A 98 News, media partner oficial do evento pelo segundo ano consecutivo, acompanha a cobertura ao vivo, na 98,7 FM e em vídeo no YouTube.
