A nova pesquisa Genial/Quaest confirma uma tendência importante da corrida presidencial de 2026: Lula continua favorito. Mas revela também uma verdade que os dois principais campos políticos parecem relutar em admitir. A eleição ainda está longe de estar decidida.
Os números mostram uma melhora para o presidente. Na comparação com a rodada anterior, Lula passou de 39% para 40% das intenções de voto no cenário principal de primeiro turno. Flávio Bolsonaro recuou de 29% para 28%, ampliando a vantagem do petista de dez para doze pontos percentuais.
Parece um cenário confortável para o governo
É sempre bom lembra que política raramente se explica apenas pelos números da superfície. A própria pesquisa mostra que o governo deixou de piorar, mas ainda não conseguiu produzir entusiasmo. A aprovação do presidente aparece em 48%, contra 47% de desaprovação, um empate técnico. Já a avaliação do governo registra um dado ainda mais simbólico: avaliação positiva e negativa aparecem rigorosamente empatadas, ambas com 36%.
Isso significa que Lula conseguiu interromper a deterioração da popularidade observada nos últimos meses, mas ainda não construiu uma maioria politicamente confortável.
Governos podem sobreviver com aprovação razoável. Eleições, porém, costumam exigir algo além da simples ausência de rejeição. Exigem mobilização.
Os indecisos e os não querem votar
Na pesquisa espontânea, aquela em que o entrevistado responde sem receber uma lista de candidatos, 54% dos brasileiros ainda não conseguem citar nenhum nome para presidente. É mais da metade do eleitorado, um número gigantesco.
Na pesquisa estimulada, o cenário muda pouco. Ainda existem 11% de indecisos e outros 8% que afirmam votar em branco, nulo ou não comparecer. Em outras palavras, praticamente um quinto do eleitorado permanece fora da disputa efetiva. Esse contingente pode redefinir completamente uma eleição presidencial.
Por isso, quem trata a pesquisa como sentença definitiva provavelmente está confundindo fotografia com filme.
A divisão por sexo
Lula continua apresentando desempenho superior entre as mulheres. Tem 38% das intenções de voto, contra 25% de Flávio Bolsonaro. Entre os homens, a disputa é relativamente mais equilibrada: Lula alcança 42%, enquanto Flávio registra 30%.
Um detalhe que chama atenção é que entre as mulheres aparece um percentual maior de indecisas e de eleitoras que afirmam votar em branco ou nulo. Isso significa que o eleitorado feminino continua sendo o principal patrimônio eleitoral de Lula, mas também representa um dos maiores espaços disponíveis para disputa durante a campanha.
O desafio da oposição
Flávio Bolsonaro mantém praticamente intacto o eleitorado identificado com o bolsonarismo, mas ainda demonstra enorme dificuldade para ultrapassar essa fronteira. Seu desempenho permanece estável, sem sinal de expansão consistente. A direita continua competitiva, mas ainda não encontrou uma narrativa capaz de conquistar os eleitores independentes.
Essa talvez seja a maior diferença entre a eleição de 2022 e a de 2026. Em 2022, o país chegou polarizado e emocionalmente mobilizado, h parece cansado da polarização, mas ainda não encontrou uma alternativa que desperte entusiasmo suficiente para substituir os protagonistas conhecidos.
O resultado é um cenário curioso. Lula lidera sem empolgar. A oposição resiste sem crescer. Os demais candidatos permanecem praticamente invisíveis. E uma parcela enorme da população simplesmente ainda não entrou na campanha.
A busca pelos indecisos
Se a pesquisa favorece Lula, ela também revela uma vulnerabilidade importante, sua liderança depende, em grande medida, da incapacidade da oposição de ampliar seu eleitorado. Da mesma forma, a oposição não pode interpretar a estabilidade de sua base como sinal de crescimento futuro automático.
Existe um eleitor disponível. Existe um espaço político aberto. Existe uma campanha inteira pela frente.
No fim das contas, a maior mensagem da Quaest talvez não seja quem está na frente. Para governo ou oposição, a principal lição é outra: a eleição continua procurando um protagonista capaz de convencer os milhões de brasileiros que, até agora, ainda não decidiram sequer em quem pensar para definir seu voto.