O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), criticou neste domingo (16/8) a política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente a relação do Brasil com os Estados Unidos. A declaração foi dada durante o lançamento da campanha presidencial de Zema, em Montes Claros, no Norte de Minas.
Ao falar sobre as relações comerciais do Brasil, Zema afirmou que o governo federal estaria tratando mal os Estados Unidos e criticou a aproximação diplomática do país com Cuba, Irã e Venezuela.
“Esse governo está tratando mal muitos países, a começar pelos Estados Unidos. (…) Esse governo se aproximou, se aliou a países que não têm nada de ocidental, de democrático, civilizado. Cuba, Irã, Venezuela, que nós sabemos, são totalmente anti-americanos”, afirmou.
Zema também relacionou essa política externa às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Segundo ele, o governo Lula teria provocado a reação norte-americana ao adotar posições contrárias aos interesses de Washington.
“E depois vem reclamar que está recebendo sanções dos Estados Unidos. Provocou e teve a reação devida”, disse.
O ex-governador ainda criticou declarações de Lula sobre a utilização do dólar como principal moeda nas transações internacionais. Para Zema, uma eventual substituição do dólar pelo euro ou pelo yuan não resolveria os problemas econômicos brasileiros. “É mudar metros por polegada, continua tudo igual”, afirmou.
Na avaliação de Zema, o Brasil deveria adotar uma postura mais próxima à de uma relação comercial entre empresa e cliente. Ele afirmou que, diante de um conflito com um parceiro importante, seria necessário buscar diretamente uma solução.
“Cliente você vai e trata bem. Cliente bom, teve um problema, você pega o primeiro avião e fala: estou aqui para poder sanar os problemas”, declarou.
A crítica à relação com os Estados Unidos não é nova no discurso de Zema. Em julho, o candidato já havia atribuído parte do desgaste entre os dois países à aproximação do governo Lula com Cuba, Venezuela e Irã e afirmado que o Brasil e o Itamaraty demonstravam “falta de habilidade” na relação com Washington.
Campanha
Durante o lançamento da campanha em Montes Claros, Zema apresentou três eixos que chamou de “choques”: um “choque ético e moral” contra a corrupção, um “choque contra a gastança do Lula e do PT” e um “choque contra as facções e organizações criminosas”.
Na área de segurança pública, defendeu o aumento das penas e do encarceramento de criminosos, a construção de presídios e a redução da maioridade penal. Também afirmou que pretende construir um presídio de segurança máxima no Norte do país para concentrar líderes de organizações criminosas.
A escolha de Montes Claros para o início da campanha, segundo Zema, representa a atenção que ele afirma ter dado ao Norte de Minas durante os dois mandatos à frente do governo estadual. A campanha presidencial começou oficialmente neste domingo (16/8), conforme o calendário eleitoral.