O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou neste domingo (16/8) o primeiro ato oficial da campanha à reeleição e escolheu São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, cidade onde iniciou sua trajetória como líder sindical no fim da década de 1970. O evento reuniu aliados, militantes e candidatos do campo governista e marcou o início da campanha presidencial do petista.
Durante um discurso de cerca de 36 minutos, Lula relembrou a própria história, voltou a se definir como “um peão” e afirmou que pretende disputar um quarto mandato para impedir o retorno da direita ao comando do país. O presidente também fez críticas à condução da pandemia de Covid-19 pelo governo anterior.
Um dos principais temas do discurso foi a segurança pública. Lula afirmou que, caso o Congresso Nacional aprove a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, pretende criar o Ministério da Segurança Pública para ampliar a participação da União no combate ao crime organizado.
Segundo o presidente, a proposta busca dividir responsabilidades com estados e municípios e intensificar o enfrentamento às lideranças das facções criminosas que atuam em comunidades.
“Se a PEC da Segurança Pública for aprovada, eu vou criar o Ministério da Segurança Pública para dividir responsabilidades com os estados e libertar o povo, prendendo todo mundo que acha que é dono de uma favela ou de um bairro pobre.”
Lula também afirmou que é preciso combater os chefes das organizações criminosas e investir em educação para evitar que jovens ingressem na criminalidade. O presidente defendeu maior integração entre os entes federativos na área da segurança e voltou a dizer que pretende ampliar a atuação federal no combate às facções.
Discurso recupera trajetória política
O petista utilizou o ato para resgatar sua história política e a ligação com o movimento sindical do ABC Paulista. Ao longo da fala, relembrou as greves de 1979, agradeceu aos trabalhadores que participaram daquele período e afirmou que sua trajetória demonstra conhecimento da realidade da população brasileira.
“Vocês colocaram na presidência um peão, quase um analfabeto. Eu só tenho o primário e um curso do Senai. Mas eu conheço o coração e a mente de vocês.”
O presidente também fez diversas referências à religião, afirmou que sua trajetória só foi possível “pelo dedo de Deus” e citou a esposa, Janja, ao falar sobre a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia. As menções ocorreram em meio à estratégia da campanha de ampliar o diálogo com o eleitorado religioso.
Haddad e Alckmin reforçam discurso de campanha
O evento contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato à reeleição na chapa, do candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), da primeira-dama Janja da Silva e de outras lideranças do campo governista.
Em seu discurso, Haddad afirmou que o governo Lula retomou o crescimento econômico, ampliou o emprego e fortaleceu áreas como educação e saúde. O ex-ministro também classificou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro como um “descalabro”.
Já Alckmin comparou Lula a um “camisa 10” da democracia, destacou indicadores econômicos do governo e defendeu a nova política industrial e os acordos comerciais firmados durante a atual gestão.