O candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, lançou oficialmente a campanha eleitoral neste domingo (16/8), em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Durante o evento, o escritor e psiquiatra apresentou as principais diretrizes do programa de governo, voltou a criticar a polarização política e defendeu a construção de um “pacto nacional” com especialistas e gestores de diferentes áreas para elaborar políticas públicas.
Ao abrir a campanha, Cury afirmou que pretende conduzir uma disputa baseada em propostas e sem ataques pessoais.
“Neste dia vamos lançar um grande sonho. O sonho onde a polarização esquizofrênica que paralisou o país vai começar a diminuir, porque nós queremos focar em 100% projetos e sem ataques pessoais.”
Segundo o candidato, o governo pretende ampliar políticas voltadas à saúde mental, à inclusão de pessoas neurodivergentes, ao empreendedorismo e à modernização do Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre as propostas apresentadas estão o financiamento de 10 milhões de microempresas, a criação de uma ampla rede de telemedicina para atender regiões remotas e um modelo de gestão baseado na escuta das demandas da população.
“O que nós estamos lançando aqui não é um projeto para governarmos Brasília a partir de Brasília, mas um governo que escuta as pessoas e que vai abraçar 213 milhões de brasileiros.”
Minas foi escolhida por representar o Brasil
Questionado sobre a escolha de Minas Gerais para o lançamento da campanha, Cury afirmou que o estado reúne características que refletem diferentes realidades do país e destacou o peso político dos mineiros nas eleições presidenciais.
“Minas Gerais tem uma geografia, uma geopolítica e várias regiões em termos de desenvolvimento e desafios que representam o mapa do Brasil. Os mineiros precisam ser ouvidos. Olhar nos olhos do mineiro é olhar nos olhos do coração dos brasileiros.”
Segundo ele, iniciar a campanha em Santa Luzia também representa uma aproximação com o interior do país.
Educação será prioridade
Durante a coletiva, Cury dedicou boa parte da fala às propostas para a educação. O candidato afirmou que pretende reformular os currículos escolares, ampliar o ensino técnico e incluir disciplinas voltadas ao desenvolvimento socioemocional e ao empreendedorismo.
Segundo ele, os estudantes precisam ser preparados para o avanço da inteligência artificial e das novas tecnologias.
“Nós temos que repaginar os currículos do ensino básico. Tem de haver oratória, empreendedorismo, gestão financeira e habilidades socioemocionais. Os professores precisam ser valorizados e treinados para preparar os jovens para o futuro.”
Cury também criticou o desempenho educacional brasileiro em avaliações internacionais e defendeu que o ensino médio tenha caráter técnico para facilitar a inserção dos jovens no mercado de trabalho.
Mulheres, infância e saúde mental
O candidato também apresentou propostas voltadas à proteção das mulheres e das crianças.
Entre elas está a criação de um aplicativo de emergência para vítimas de violência doméstica, que acionaria automaticamente a delegacia mais próxima por georreferenciamento.
“As mulheres terão protagonismo no meu governo.”
Cury ainda voltou a defender um projeto de lei de sua autoria que prevê consultas anuais de crianças com médicos e psicólogos para identificação precoce de casos de violência e abuso sexual.
Na área da saúde mental, afirmou que pretende ampliar políticas públicas voltadas aos neurodivergentes e ao atendimento psicológico da população.
Segurança pública
Ao responder perguntas sobre segurança, o candidato defendeu maior integração entre as forças policiais e criticou o atual modelo de atuação do Estado.
“Pior do que o crime organizado é um Estado desorganizado.”
Segundo ele, a proposta prevê integração entre Polícia Federal, polícias militares, polícias civis e polícias rodoviárias, com compartilhamento de informações, uso intensivo de tecnologia e treinamento conjunto.
O candidato também afirmou que pretende discutir mudanças no sistema de Justiça para reduzir a reincidência criminal.
Reforma política e mudanças no STF
Nas considerações finais, Augusto Cury voltou a defender reformas institucionais.
Entre elas estão o fim da vitaliciedade dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com mandato de oito anos, e a adoção do semipresidencialismo, com a criação do cargo de primeiro-ministro.
Segundo ele, o presidente da República ficaria responsável pelas Forças Armadas e pela política externa, enquanto o primeiro-ministro administraria o governo.
“O presidente da República nunca foi e nunca deveria ser o maior líder da nação, mas o maior empregado da nação, contratado pelo voto com prazo determinado para ser despedido.”
Cury também afirmou que pretende fortalecer o Ministério das Relações Exteriores para ampliar a presença do Brasil no cenário internacional e atrair investimentos, defendendo que o país deixe de ser apenas “a fazenda do mundo” para se tornar também um centro de inovação e industrialização.