candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) defendeu uma ofensiva federal contra facções criminosas, com uso de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e possibilidade de intervenção em estados, criticou duramente as ausências de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e apresentou propostas para a educação durante o primeiro debate presidencial, realizado neste domingo (23/8). Renan também defendeu a construção de superpresídios, mudanças no financiamento da educação básica e a criação de regras que poderiam levar à inelegibilidade de prefeitos que não cumprissem metas na área.
Logo no início de sua participação, Renan direcionou ataques a Lula e Flávio, que não compareceram ao encontro. O candidato classificou os dois como “covardes e canalhas” e afirmou que eles deveriam estar presentes para responder a acusações.
Renan citou, entre outros casos, as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e acusações relacionadas ao período em que Flávio Bolsonaro exerceu mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro.
“Esses dois criminosos não vieram ao debate. Desrespeitaram a emissora Rede Bandeirantes, desrespeitaram os brasileiros”, afirmou.
Renan promete ofensiva contra facções criminosas
Na segurança pública, Renan apresentou três medidas para combater o crime organizado. A primeira seria decretar estado de defesa e utilizar operações de Garantia da Lei e da Ordem em regiões que, segundo ele, estejam sob domínio de organizações criminosas.
“Eu tô falando em passar o rodo nesses caras”, declarou.
O candidato também propôs a construção de “superpresídios”, com a abertura de 300 mil a 500 mil vagas. Renan afirmou ainda que pretende promover uma integração entre União e estados para combater as organizações criminosas.
Segundo ele, governos estaduais que se recusarem a participar da ofensiva poderão sofrer intervenção federal. Renan citou especificamente Ceará e Bahia e criticou as administrações petistas nos dois estados.
“Se os governadores do Ceará e da Bahia forem reeleitos, eu vou fazer uma intervenção caso eles não desejem enfrentar o crime organizado”, disse.
Educação básica e punição a gestores
Na educação, Renan defendeu mudanças na alfabetização, maior autoridade dos professores dentro das salas de aula e ampliação dos investimentos na educação básica.
O candidato criticou os gastos com universidades públicas e argumentou que o país investe pouco nos primeiros anos de ensino. Também defendeu a criação de mecanismos para premiar escolas e gestores que apresentarem melhores resultados.
Entre as propostas apresentadas está o que Renan chamou de “Lei de Responsabilidade Gerencial”. Pelo projeto descrito pelo candidato, estados e municípios teriam metas relacionadas a áreas como educação, saúde e segurança.
Renan afirmou que municípios com melhora nos indicadores educacionais poderiam receber mais recursos. Já prefeitos que não atingissem os resultados estabelecidos poderiam, segundo a proposta apresentada por ele, ficar inelegíveis.
“Se o prefeito não entregar isso e torna os seus jovens analfabetos funcionais, nós vamos para cima do prefeito. O prefeito pode se tornar inelegível”, afirmou.
Críticas a Lula e à família Bolsonaro
Renan também relembrou as manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, e afirmou ter participado da convocação dos atos realizados há dez anos.
Na sequência, voltou a atacar a família Bolsonaro e afirmou que a mobilização política daquele período teria sido substituída por uma aproximação com o Supremo Tribunal Federal (STF).
O candidato também voltou a fazer acusações contra Lula, a quem chamou de “ladrão” durante o debate.
Renan defende Brasil como liderança do Sul Global
Ao falar sobre desenvolvimento econômico e política externa, Renan afirmou que pretende transformar o Brasil em uma das cinco maiores potências mundiais.
O candidato defendeu investimentos em tecnologia, inteligência artificial e infraestrutura, além de políticas para ampliar a industrialização e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas.
“Nós nascemos para ser o maior país do Sul Global. Nós nascemos para liderar e não passar vergonha”, declarou.
O primeiro debate presidencial foi realizado neste domingo (23/8). Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema (Novo) não participaram do encontro. Augusto Cury (Avante) chegou a anunciar, pouco antes do início, que também não participaria, mas voltou atrás e esteve no debate.