O primeiro debate entre candidatos à Presidência da República, realizado neste domingo (23/8), foi marcado por críticas às ausências de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), além de propostas para segurança pública, economia e educação. Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) participaram do encontro e concentraram parte das falas em ataques aos adversários que ficaram fora do debate.
Romeu Zema (Novo) também não participou. Augusto Cury chegou a anunciar, pouco antes do início, que desistiria do encontro, mas voltou atrás e entrou nos estúdios da Band.
Durante o debate, Renan Santos apresentou as propostas mais duras para a segurança pública. O candidato defendeu operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em regiões dominadas pelo crime organizado, construção de “superpresídios” e até intervenção federal em estados que, segundo ele, não atuarem contra as facções.
“Eu tô falando em passar o rodo nesses caras”, afirmou Renan.
O candidato também atacou diretamente Lula e Flávio Bolsonaro pelas ausências e chamou os dois de “covardes e canalhas”. Na educação, defendeu metas de desempenho e uma proposta que poderia tornar prefeitos inelegíveis caso não alcançassem resultados estabelecidos para a área.
Caiado endurece discurso contra violência às mulheres
Ronaldo Caiado apresentou uma proposta para confiscar bens de autores de violência contra a mulher e transferir o patrimônio para familiares das vítimas em determinadas situações. O candidato também defendeu penas de 20 a 40 anos, conforme a gravidade do crime, e restrições à redução do tempo de prisão antes do cumprimento de 90% da pena.
Na economia, Caiado prometeu contenção de despesas e um “choque de credibilidade” para buscar a redução dos juros e uma inflação entre 3% e 4%.
O candidato também criticou Lula e Flávio pelas ausências e pediu aos eleitores que considerem outras alternativas na disputa.
“Todos eles já tiveram oportunidade. Dê uma chance para o Brasil”, afirmou.
Caiado ainda usou sua passagem pelo governo de Goiás para destacar investimentos em educação e inteligência artificial.
Cury cobra Lula e promete crédito para microempresas
Augusto Cury direcionou parte de suas críticas a Lula pela situação da educação brasileira. O candidato afirmou que o país enfrenta um “caos” na área e defendeu mudanças no modelo de ensino e na preparação dos professores.
“Lula da Silva, você tinha que estar aqui para responder o caos que está a educação”, declarou.
Na economia, Cury prometeu financiar mais de 10 milhões de microempresas e propôs dividir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em duas estruturas, uma voltada às grandes empresas e outra aos pequenos negócios.
Em política externa, defendeu boas relações com Estados Unidos e China, mas rejeitou uma posição de submissão do Brasil diante dos norte-americanos.
“Pacificação em primeiro lugar; subserviência, servidão, jamais”, afirmou.
O debate deste domingo foi o primeiro encontro entre candidatos à Presidência nesta eleição. Lula, Flávio Bolsonaro e Zema ficaram fora. Cury chegou a anunciar a desistência momentos antes do início, criticando justamente a ausência dos principais candidatos, mas voltou atrás e decidiu participar.