O presidente nacional do PSDB e deputado federal Aécio Neves decidiu rever a posição anunciada no início de agosto e deve disputar uma vaga no Senado por Minas Gerais na chapa de Alexandre Kalil (PDT). A informação foi confirmada à Rede 98 por lideranças estaduais do PDT e do PSDB nesta quinta-feira (27/8).
Aécio já comunicou a integrantes da direção nacional do PSDB que aceitou entrar na disputa. A expectativa é que a decisão seja anunciada oficialmente nesta sexta-feira (28/8), em Belo Horizonte.
A mudança ocorre pouco mais de três semanas depois de o tucano anunciar que não seria candidato a nenhum cargo nas eleições deste ano. Na ocasião, Aécio afirmou que pretendia continuar na vida pública, mas concentrar os esforços na presidência nacional do PSDB e na construção de um novo projeto político para o partido.
PDT já tentava convencer Aécio a disputar o Senado
A possibilidade de Aécio rever a decisão vinha sendo trabalhada por integrantes da aliança de Alexandre Kalil. Durante uma caminhada do candidato ao governo de Minas no bairro Serra, em Belo Horizonte, lideranças do PDT afirmaram à Rede 98 que já haviam feito diferentes tentativas para convencer o deputado a disputar o Senado.
Naquele momento, os pedetistas admitiam que não tinham conseguido mudar a posição de Aécio, mas afirmavam que não haviam desistido da ideia.
A articulação ganhou força nos últimos dias. A Federação PSDB Cidadania em Minas Gerais e o PDT divulgaram uma nota conjunta pedindo publicamente que Aécio reconsiderasse a decisão. O documento foi assinado por Paulo Abi-Ackel, presidente da Federação PSDB Cidadania no estado, e Mário Heringer, presidente estadual do PDT.
No texto, as duas legendas afirmaram ter recebido manifestações de prefeitos, vereadores, deputados, militantes e outras lideranças favoráveis à candidatura. Os dirigentes também defenderam que Aécio poderia ter papel importante na discussão sobre a dívida de Minas no Senado.
Marcelo Heringer renunciou à candidatura
Outro movimento ocorreu com Marcelo Heringer (PDT), que havia sido registrado como candidato ao Senado. O médico, irmão do presidente estadual do PDT, Mário Heringer, protocolou junto à Justiça Eleitoral o pedido de renúncia à candidatura.
A saída abriu espaço político para uma nova composição da chapa ao Senado e aumentou as articulações para que Aécio reconsiderasse a decisão tomada no início do mês.
Aécio chegou a sinalizar positivamente às conversas, mas ainda mantinha preferência por se dedicar à reorganização do PSDB nacionalmente em vez de assumir um novo mandato eletivo. A cadeira no Senado tem mandato de oito anos.
Aécio havia anunciado fim de sequência de 40 anos de mandatos
No dia 4 de agosto, Aécio anunciou que não disputaria nenhum cargo eletivo em 2026. A decisão encerraria uma sequência de 40 anos de mandatos iniciada em 1986, quando foi eleito deputado federal pela primeira vez.
Ao anunciar a decisão, o tucano afirmou que ela não representava uma despedida da vida pública nem das futuras disputas eleitorais. A prioridade, segundo ele, passaria a ser a atuação como presidente nacional do PSDB e o fortalecimento de um projeto político de centro.
Aécio também afirmou, naquela ocasião, que a escolha de não concorrer havia sido difícil e destacou que chegava ao período eleitoral em posição competitiva para uma das vagas ao Senado.