O primeiro dia de propaganda eleitoral dos candidatos ao governo de Minas trouxe apresentação dos candidatos menos conhecidos, aposta em padrinhos políticos e críticas aos adversários.
O ex-vereador por Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) se colocou ao centro, longe da polarização entre petistas e bolsonaristas. Como se tentasse conectar os pontos na cabeça do eleitor, se apresentou como a novidade que o eleitor busca, aquele candidato que representa quem não quer mais escolher apenas entre um dos dois campos ou que esteja desiludido com a política. E jogou PL e PT no mesmo bolo: ‘são todos iguais’. Seguiu na estratégia usada em entrevistas e debates de se colocar como professor, o candidato mais preparado e com propostas a serem apresentadas.
O ex-prefeito de BH Alexandre Kalil (PDT) também se apresentou como independente, mas abrindo a gravação explicando que não teria muito tempo “por não ser bom de conchavo”. Outra marcação do estilo sincerão do candidato foi a repetição de uma estratégia já usada nas outras campanhas, de se colocar como o político que não vai prometer, mas fazer.
Vacina
Líder nas pesquisas de intenção de votos, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) valorizou seu desempenho nos levantamentos, se apresentou como governador do povo e tentou criar uma ‘vacina’ para o que pode vir de seus opositores: explicando o vai e vem da confirmação de sua candidatura na pré-campanha. Para rebater as críticas de indecisão e fragilidade, disse que tentaram impedir sua candidatura.
Na televisão, a estética da propaganda do senador não surpreende, mas se destaca.
Padrinhos
O deputado federal Patrus Ananias (PT) e o empresário Flávio Roscoe (PL) apostaram forte nos padrinhos. No caso do petista, Lula foi apresentado antes mesmo dele, com uma mensagem gravada pelo presidente. No rádio, a voz de Patrus nem apareceu no programa, e a locução ficou a cargo de dois atores e de uma mensagem que seria de uma moradora da capital agradecendo o ex-prefeito pelo trabalho que fez na década de 1990, em especial o orçamento participativo e na educação. Na TV, explorou imagens do evento de lançamento de sua campanha na capital e abriu a peça com a estrela do partido sendo bordada, bastante simbólica para os petistas.
Roscoe também trouxe seu legado, em especial à frente da Fiemg. Se colocou como patriota e de direita. No rádio, citou sua ligação com o clã Bolsonaro. Usou o tripé saúde, educação e segurança como base de suas promessas. Na TV, contou com a participação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Roscoe criticou a atual situação do Estado, em especial as estradas e as áreas da saúde e da educação.
O ex-governador Romeu Zema, que ainda não apareceu na campanha de rua de seu sucessor, foi usado pelo atual governador Mateus Simões, mas apenas numa pincelada antes de partir para as entregas de sua gestão. Defendeu que é melhor ficar com o Mateus que “trocar pelo duvidoso”. Foi apenas para criar o fio da meada de um candidato que se coloca agora para o público. Sem citar petistas ou o ex-governador Fernando Pimental (PT), ele fez uma associação com a atual candidatura de Patrus se colocando como novidade no contraste com o que chama de “velha política”, caminho que deu certo para Zema no passado.
Dos 11 candidatos ao governo, apenas os seis têm espaço no horário eleitoral gratuito, segundo as regras da Justiça Eleitoral.