O presidente nacional do PSDB e ex-governador de Minas Gerais, deputado federal Aécio Neves, anunciou nesta sexta-feira (28/8) que será candidato ao Senado nas eleições deste ano. A decisão foi oficializada durante entrevista coletiva na sede estadual do PSDB, em Belo Horizonte, ao lado do presidente do PSDB-MG, Paulo Abi-Ackel, e do presidente estadual do PDT, Mário Heringer. Ao confirmar a mudança de planos, o tucano afirmou: “Volto ao jogo, volto à disputa eleitoral”.
Aécio havia anunciado no início de agosto que não disputaria nenhum cargo eletivo em 2026 e que se dedicaria à presidência nacional do PSDB e à reconstrução de um campo político de centro. Nesta sexta, afirmou que reconsiderou a decisão após receber pedidos de lideranças políticas e disse que a situação de Minas foi a principal razão para voltar à disputa.
“Eu quero anunciar aqui hoje que mudei de rota, mudei de rota com um sentimento muito profundo de responsabilidade com Minas Gerais”, afirmou.
A candidatura confirma a movimentação antecipada pela Rede 98 nesta quinta-feira (27/8). A reportagem revelou que Aécio havia comunicado a dirigentes nacionais e estaduais do PSDB que aceitou disputar o Senado na chapa encabeçada por Alexandre Kalil (PDT) ao governo de Minas. A informação havia sido confirmada à reportagem por lideranças estaduais do PDT e do PSDB.
A definição também ocorreu após Gustavo Galassi (PSDB), até então candidato ao Senado, protocolar a renúncia à candidatura na Justiça Eleitoral.
Dívida de Minas será prioridade
Ao apresentar as primeiras propostas da candidatura, Aécio colocou a renegociação da dívida de Minas entre as principais prioridades de um eventual mandato. O tucano afirmou que pretende articular senadores de outros estados endividados para ampliar a pressão sobre o governo federal.
Segundo Aécio, a proposta é criar uma bancada dos estados devedores no Senado.
“Eu, se eleito senador, no dia seguinte estarei articulando as bancadas de todos os outros estados, especialmente dos estados devedores. Vou criar, sim, a bancada no Senado dos estados devedores, para pressionarmos o governo federal para uma negociação mais realista”, declarou.
Aécio também citou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e disse que Minas precisará de uma representação forte no Congresso para discutir as condições impostas ao estado.
De acordo com ele, Minas já desembolsa pouco mais de R$ 100 milhões mensais dentro da negociação e poderá chegar a R$ 500 milhões por mês em cinco anos. O candidato classificou esse patamar como impossível de ser sustentado pelo estado sem comprometer investimentos.
Para Aécio, uma nova negociação precisa preservar recursos destinados a áreas como saúde, educação e segurança pública.
Projeto de centro para 2030
Aécio também relacionou a candidatura ao Senado ao projeto nacional que pretende construir à frente do PSDB. Segundo ele, ocupar uma cadeira no Senado daria melhores condições para articular forças políticas de centro com o objetivo de apresentar um projeto para a eleição presidencial de 2030.
“É no Senado Federal que eu pretendo rearticular as forças de centro para apresentarmos ao Brasil um projeto transformador, como tentamos apresentar em 2014”, afirmou.
O tucano disse defender uma alternativa que rejeite a polarização entre esquerda e direita e afirmou ter recebido manifestações de apoio de pessoas ligadas a diferentes campos políticos.
“Eu não serei o candidato de A, eu não pretendo ser o candidato de B, o que eu quero ser é o senador de Minas Gerais”, declarou.
Aécio afirmou ainda que pretende fazer uma campanha sem ataques aos adversários e concentrada em propostas para o estado.
Ao encerrar a coletiva, o ex-governador voltou a confirmar a entrada na disputa.
“A partir de hoje, sou candidato a ser o senador de Minas Gerais”, disse.