O economista Bruno Musa afirmou nesta sexta-feira (4/9), durante o Fórum Liberdade e Democracia, em Belo Horizonte, que o crescimento da economia brasileira nos últimos anos tem sido sustentado pelo aumento do endividamento e defendeu uma mudança na condução econômica do país. Na avaliação dele, o cenário atinge o poder público, as famílias e as empresas.
Durante entrevista à Rede 98, Musa afirmou que o problema foi construído ao longo de décadas e comparou a situação a um processo de ganho de peso que, inicialmente, parece administrável, mas passa a comprometer progressivamente a capacidade de reação.
“A gente está no caminho errado há muitos anos, há muitas décadas. Na verdade, a gente tem um crescimento ao longo dos últimos anos patrocinado única e exclusivamente pelo endividamento da máquina pública”, declarou.
O economista também relacionou o cenário das contas públicas às dificuldades financeiras enfrentadas por famílias e empresas. Segundo Musa, o número de companhias em recuperação judicial e falência e o contingente de brasileiros endividados são sinais de um problema mais amplo.
Participação do Brasil na economia mundial
Musa também apontou a redução da participação brasileira no Produto Interno Bruto (PIB) mundial como um dos sinais de perda de espaço do país em relação a outras economias.
De acordo com os dados apresentados pelo economista, o Brasil respondia por 2,8% do PIB mundial na década de 1980. Atualmente, segundo ele, essa fatia está em 2,1%.
Para Musa, parte das escolhas econômicas adotadas pelo país está relacionada a ideias consolidadas nas décadas de 1980 e 1990 que, na avaliação dele, precisam ser revistas diante do cenário econômico atual.
“Nós estamos em 2026. As outras economias, as minimamente concorrentes nossas, estão mais adiante”, disse.
O economista defendeu ainda uma redução das ineficiências do Estado e mudanças capazes de conter o avanço do endividamento. Para ele, sem uma alteração de trajetória, o Brasil tende a continuar perdendo participação relativa na economia global.
