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Aécio Neves ‘aceita’ voto ‘Marécio’, quer Propag alongado e câmeras em PMs

Por Larissa Reis Rede 98
09/09/2026 08:53 Atualizado há 16 minutos
aécio neves
Aécio também disse que pretende atuar no Senado de forma independente

Candidato ao Senado por Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) falou sobre a campanha eleitoral, a situação financeira do Estado e propostas para a segurança pública durante entrevista à 98 News nesta quarta-feira (9/9). Entre os assuntos, o ex-governador não rechaçou a possibilidade de receber votos na chamada composição “Marécio”, defendeu o alongamento do prazo de pagamento da dívida de Minas pelo Propag e afirmou ser favorável ao uso de câmeras corporais por policiais militares.

Questionado sobre uma campanha que circula nas redes sociais sugerindo que eleitores votem em Aécio e Marília Campos (PT) para as duas vagas ao Senado, Aécio disse que tem visto seu nome associado a diferentes candidatos e destacou que o eleitor mineiro terá dois votos para o Senado.

“Eu quero ser o senador de Minas. Eu não estou aqui trabalhando para ser o senador do Lula ou senador do Bolsonaro”, afirmou.

Aécio também disse que pretende atuar no Senado de forma independente, negociando com diferentes grupos políticos em defesa de pautas de interesse de Minas.

“Se eu merecer o seu voto, vou estar lá em condições políticas de negociar, de apertar qualquer que seja o próximo presidente da República, em favor dos nossos interesses”, declarou.

Aécio quer ampliar prazo do Propag

A situação financeira de Minas Gerais foi um dos principais temas da entrevista. Aécio defendeu mudanças nas condições de pagamento da dívida do Estado com a União e afirmou que pretende atuar no Senado para ampliar o prazo previsto no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

O candidato propôs que o prazo de pagamento passe de 30 para 50 anos e que o comprometimento da Receita Corrente Líquida de Minas caia de 13% para 8%.

Segundo Aécio, sem uma mudança nas condições atuais, o Estado poderá enfrentar dificuldades para manter investimentos e serviços públicos.

“Se nós não abrirmos espaço fiscal nessa negociação da dívida, alongando o prazo de 30 para 50 anos, diminuindo o impacto na nossa receita corrente líquida, que hoje está em 13% para 8%, nós não teremos condições sequer de pagar folha de pagamento daqui a cinco anos”, afirmou.

O tucano também disse que pretende articular uma “bancada dos Estados devedores” no Senado, reunindo parlamentares de estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Bahia.

A ideia, segundo ele, é negociar com a União condições que permitam o pagamento da dívida, mas também garantam recursos para investimentos nos estados.

“Eu sou um cara fiscalista, eu acho que nós temos que honrar com as nossas responsabilidades, mas esses recursos que nós estamos transferindo para a União têm que retornar a Minas de forma pactuada em investimentos essenciais para a vida das pessoas”, disse.

O Propag foi criado para permitir a renegociação das dívidas dos estados com a União, com redução dos encargos e possibilidade de uso de ativos estaduais no abatimento dos débitos.

Câmeras corporais para policiais

Na área da segurança pública, Aécio defendeu a aprovação da PEC que trata do tema, mas afirmou que o texto precisa de mudanças.

Entre as propostas apresentadas pelo candidato está a distribuição automática de parte dos recursos federais destinados à segurança pública aos estados, considerando critérios como população e índices de criminalidade.

Aécio também afirmou ser favorável ao uso de câmeras corporais por policiais militares. Para ele, o equipamento pode servir não apenas para fiscalização das ações dos agentes, mas também como mecanismo de proteção aos próprios policiais.

“Eu acho que a câmera corporal é um avanço e vejo que grande parte das corporações compreendem isso”, afirmou. Aécio disse ainda que considera a segurança pública uma área estratégica para o desenvolvimento econômico e criticou o que classificou como perda de valorização das forças de segurança.

CFEM

Outro tema abordado foi a mineração. Aécio afirmou que pretende defender uma nova discussão sobre a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), paga pelas empresas aos municípios pela exploração dos recursos.

Ele lembrou que participou, quando era senador, da mudança nas regras que aumentou a arrecadação da CFEM e incluiu municípios afetados pelo transporte do minério entre os beneficiários.

Segundo Aécio, uma nova etapa precisa ser discutida diante dos resultados obtidos pelas empresas do setor. “Será uma das nossas demandas no Senado”, afirmou.

Emendas parlamentares

Aécio também defendeu a manutenção das emendas parlamentares, mas com maior transparência e vinculação a políticas públicas.

Na avaliação do candidato, os parlamentares devem continuar podendo direcionar recursos para municípios, mas as emendas deveriam estar inseridas em programas e prioridades definidos pelo Poder Executivo e aprovados no orçamento.

Ele citou como exemplos investimentos em escolas técnicas, saneamento e saúde. “Quem tem a responsabilidade de definir as prioridades é quem foi eleito para tal”, disse.

Relação com Lula

Ex-governador de Minas entre 2003 e 2010 e ex-senador pelo Estado, Aécio também foi questionado sobre uma eventual aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele afirmou que sempre manteve uma relação institucional com Lula, mesmo quando fazia oposição ao petista, e disse que continuará criticando medidas das quais discorde caso seja eleito.

“Eu dirijo nas ideias, eu defendo e ataco as ideias, mas eu não ataco as pessoas”, declarou.

Aécio citou como exemplos votações em que apoiou propostas de governos de diferentes orientações políticas. Segundo ele, a posição deve ser definida pelo conteúdo da medida, e não pelo partido responsável por apresentá-la.

Projeto para 2030

Presidente nacional do PSDB, Aécio também afirmou que o partido pretende ampliar sua presença no Congresso e construir um projeto nacional para 2030.

Ele disse que não trabalha, neste momento, com uma nova candidatura presidencial, mas defendeu a construção de uma alternativa política de centro.

“Tenho sim disposição de construir um projeto, não para mim, mas um projeto de centro em 2030 para que nós deixemos essa polarização tão rasa”, afirmou.

Aécio é oficialmente candidato ao Senado por Minas Gerais nas eleições de 2026. O Senado Federal lista o tucano entre os candidatos mineiros ao cargo, com Gustavo Galassi (PSDB) e Marcelo Heringer (PDT) como suplentes.

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Larissa Reis
Larissa Reis
Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).