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Abin aponta risco de interferência dos EUA nas eleições brasileiras

Por Igor Teixeira Rede 98
19/09/2026 14:58 Atualizado há 45 minutos
(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontou risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A avaliação consta em um relatório encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

No documento, a agência identifica um “nível de criticidade” relacionado à possibilidade de interferência externa e aponta uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”. A avaliação considera ações adotadas pelos Estados Unidos contra o país nos últimos meses e a política do governo de Donald Trump para a América Latina.

A Abin avalia que os Estados Unidos buscam reduzir a influência de potências consideradas rivais na região, principalmente a China, e limitar o acesso desses países a ativos estratégicos, recursos naturais e infraestrutura. O relatório também aponta uma estratégia americana de apoio à ascensão de governos conservadores alinhados ao Executivo dos EUA.

A possibilidade de interferência externa já aparece entre as preocupações da própria Abin para o processo eleitoral de 2026. Em documento público sobre os desafios para a inteligência neste ano, a agência cita a influência externa entre os fatores que tornam o cenário eleitoral mais complexo, ao lado da desinformação, do uso de inteligência artificial, da atuação do crime organizado e do extremismo.

Pressão dos Estados Unidos

O relatório enviado às autoridades brasileiras também menciona sanções impostas pelos Estados Unidos a brasileiros e empresas e avalia que essas medidas representam uma mudança de fase na pressão exercida sobre o Brasil.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também aparece no documento. Segundo a avaliação da Abin, a atuação do chefe da diplomacia dos Estados Unidos possui um componente ideológico e busca influenciar a política externa dos países da América Latina.

A Política Nacional de Inteligência brasileira define interferência externa como a atuação deliberada de governos, grupos ou pessoas com objetivo de influenciar os rumos políticos do país para favorecer interesses estrangeiros. O documento classifica esse tipo de atuação como uma ameaça à soberania nacional.

TSE não identificou sinais concretos

Apesar do alerta apresentado pela Abin, integrantes do TSE afirmam que, até o momento, não foram identificados sinais concretos de influência externa sobre o processo eleitoral.

A avaliação dentro da Corte é de que o alerta deve continuar sendo acompanhado, mas que o risco apontado pela inteligência brasileira ainda não se traduziu em episódios de interferência identificados nas eleições.

A Abin integra estruturas criadas pelo TSE para acompanhar a segurança do pleito. A agência participa do Núcleo Institucional de Apoio Eleitoral e do Núcleo Institucional de Garantia dos Direitos Eleitorais, que reúnem diferentes órgãos públicos para prevenir ameaças e garantir a normalidade das eleições.

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Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.