Fazer aniversário na escola foi uma experiência especial para José Maria Borges. Aos 92 anos, ele continua frequentando as aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Belo Horizonte e ganhou uma comemoração especial pelo aniversário, celebrado nessa quarta-feira (23/9).
A festa foi preparada na Escola Municipal Anne Frank, onde José Maria estuda desde 2019. Familiares, professores e outros profissionais da rede participaram da homenagem.
Nascido em 23 de setembro de 1934, em São João Evangelista, no interior de Minas, José Maria começou a estudar na EJA anos depois de adulto. Antes de chegar à Escola Anne Frank, passou por outras duas unidades da rede municipal.
Mesmo com as mudanças de escola, ele não deixou os estudos de lado. Para José Maria, estar em sala de aula é uma oportunidade de continuar aprendendo.
“É um prazer estar aqui. Fico mais alegre, mais confortável, despreocupado. Quero aprender a ler e a escrever, observar o que os outros dizem e aprender a fazer as coisas”, contou.
Aluno dedicado
A rotina de José Maria é marcada pela assiduidade. Segundo a professora Vera Lucia Silva Mesquita, ele chega no início do turno e permanece até o fim das aulas.
“É um aluno dedicado, que copia todas as atividades e mantém uma letra muito bonita”, conta a professora.
Quando encontra alguma dificuldade, José Maria costuma precisar apenas de um pouco de atenção para conseguir acompanhar as atividades. “Basta ele receber a atenção de alguém, que se senta ao lado para explicar com calma, que consegue realizar as atividades propostas”, explica Vera.
O jeito educado e carinhoso também faz com que ele seja querido pelos colegas e professores.
“Ele é uma pessoa muito educada, gentil e querida por todos na escola. Mantém sempre a cordialidade, responde com um sorriso e demonstra muito carinho no convívio com professores e colegas”, afirma.
Uma vida de trabalho
Antes de voltar para a escola, José Maria passou boa parte da vida trabalhando. Ele perdeu o pai aos 7 anos e, aos 10, deixou a casa da família para trabalhar em fazendas da região de São João Evangelista.
Aos 36 anos, mudou-se para Machacalis, no Norte de Minas, onde conheceu a esposa, Maristela. Os dois viveram por alguns anos na roça antes de a família decidir tentar uma nova vida em Belo Horizonte.
A mudança para a capital aconteceu em 1975. José Maria trabalhou na construção civil e, ao lado da esposa, criou as quatro filhas: Valquíria, Vanessa, Valéria e Vanda.
Foi justamente para as filhas que ele fez questão de deixar um conselho que gostaria de ter recebido quando era criança: estudar.
“Meu pai sempre disse que não teve sorte, que não nos deixaria bens, casas ou riquezas. (…) Ele nos deu a sua maior herança, que é o seu tempo, seu suor, seu amor e sua fé”, conta Valquíria.
EJA em BH
Atualmente, a Educação de Jovens e Adultos da rede municipal de Belo Horizonte atende pessoas de 15 a 102 anos. Ao todo, são 6.688 estudantes, sendo 37 com mais de 90 anos.
A modalidade é voltada para quem não foi alfabetizado ou não concluiu a escolarização regular. As matrículas podem ser feitas durante todo o ano nas escolas que oferecem a EJA ou nas Diretorias Regionais de Educação. Em BH, são 156 pontos de atendimento distribuídos pelas dez regionais da cidade.
