O debate às vésperas das eleições revelou um Cleitinho diferente daquele a que o eleitor se acostumou a ver durante a campanha. Sem mostrar a outra face diante das críticas, partiu para o ataque. Rápido nas respostas, debochou de Mateus Simões e afirmou que o governador precisaria aceitar a derrota porque assim doeria menos. Começou com um afago a Patrus Ananias para, depois, chamar de desastrosa a gestão de Pimentel no Estado e defender que o PT não volte a governar Minas Gerais.
Partiu para cima de Flávio Roscoe, que vinha pegando leve com ele, com um discurso que parecia já calibrado para abrir caminho para uma dobradinha no segundo turno. Mas, com o aumento da temperatura, o embate acabou descambando para o confronto. Roscoe afirmou que a proposta de redução do IPVA do senador não poderia vingar sem que ele indicasse uma fonte de custeio. E disse que não inventaria mentiras para arrumar uma solução que não existe.
Cleitinho ainda pediu economia e escolhas melhores aos prefeitos que temem perda de arrecadação por causa do corte no IPVA. Segundo ele, os prefeitos precisam escolher melhor suas prioridades, citando como exemplo os shows milionários que muitas vezes viram alvos do Ministério Público.
Foi um Cleitinho sem o discurso amistoso visto no outro debate de que participou. Talvez porque estivesse incomodado por ter sido o foco dos ataques até aqui. Ou talvez porque tenha decidido antecipar a artilharia que esperava receber na reta final.
E encontrou do outro lado um Mateus disposto a manter a temperatura elevada. É de Cleitinho que o governador pode tentar tirar votos, justamente por causa do perfil de seu eleitorado. Além de se mostrar conhecedor dos números e dos projetos de seu governo, abusou do deboche, cobrou Cleitinho sobre seu suplente, sobre as viagens de avião, sobre o presidente de seu partido e a forma como o senador administrou suas emendas. Chegou a citar a oferta de propina de um aliado do senador. E fez o primeiro aceno a Flávio Bolsonaro, depois de passar a campanha toda apoiando Romeu Zema. Disse esperar que o candidato seja eleito para a Presidência da República.
Patrus, que aparece na segunda colocação nas pesquisas, ficou longe dos protagonistas do debate. Na defensiva, precisou desmentir a Escola Plural e tentou se descolar da gestão de Fernando Pimentel.
No fim, Cleitinho não seguiu os pensamentos bíblicos para dar a outra face. Mostrou uma versão mais agressiva de si mesmo — justamente quando seus principais adversários decidiram que era, enfim, hora de ir para o confronto.