Rede 98 > Eleições 2026 > Acusação de propina, ataques e propostas avulsas: veja como foi o debate da Globo em Minas

Acusação de propina, ataques e propostas avulsas: veja como foi o debate da Globo em Minas

Por Igor Teixeira • Rede 98
30/09/2026 01:32 Atualizado há 2 horas
(Foto: Globo/Douglas Magno)

Acusação de oferta de R$ 10 milhões em propina, cobranças sobre emendas parlamentares, críticas a governos anteriores e divergências sobre educação, segurança pública, incentivos fiscais e desenvolvimento regional marcaram o debate da TV Globo com os candidatos ao Governo de Minas, nesta terça-feira (29/9). O encontro foi o primeiro desta eleição com todos os principais concorrentes presentes e teve confrontos diretos entre Mateus Simões (PSD) e Cleitinho Azevedo (Republicanos), Patrus Ananias (PT) e Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Patrus, além de discussões sobre o interior entre Cleitinho e Alexandre Kalil (PDT).

O momento de maior tensão ocorreu no confronto entre Mateus e Cleitinho. Após ser provocado pelo senador a falar sobre pessoas próximas à campanha dele, Mateus acusou o deputado federal Euclydes Pettersen de ter oferecido R$ 10 milhões em propina para facilitar um contrato.

“Em todo o meu tempo de vida pública, uma única pessoa me ofereceu propina: Euclydes Pettersen. Tentou me oferecer R$ 10 milhões no meio de um casamento para que eu pudesse facilitar um contrato para ele”, acusou.

Mateus afirmou que não aceitou a suposta oferta, denunciou o episódio e relatou o caso a Cleitinho há cerca de um ano. Segundo o candidato do PSD, Euclydes teria dito que o pagamento poderia ocorrer anualmente.

“Ele ainda me disse, na hora que eu falei: ‘Você está doido?’, ele disse: ‘Pode ser por ano, porque o contrato aguenta’”, declarou.

As declarações foram feitas por Mateus durante o debate. No material reunido até o momento, não há manifestação de Euclydes sobre a acusação.

Cleitinho rebateu citando a relação de Mateus com o suplente dele e questionou se o adversário negaria ter viajado de aeronave com essa pessoa. Mateus confirmou o encontro, mas afirmou que ocorreu a pedido de Cleitinho e antes das acusações mencionadas durante o confronto.

Mais tarde, Cleitinho voltou ao episódio e afirmou que não poderia responder pelas condutas atribuídas ao suplente.

“Ele é meu suplente, o CPF é dele e o meu CPF é meu. Isso é um problema dele”, afirmou.

Segurança pública provoca troca de ataques

Mateus e Cleitinho também discutiram a destinação de emendas parlamentares para a segurança pública. O candidato do PSD acusou o senador de não ter destinado recursos para a área e questionou verbas enviadas para a região de Divinópolis.

“Dos R$ 74 milhões que ele distribuiu no entorno de Divinópolis […] não foi nada para segurança pública. Nada. Nenhum centavo, nenhuma viatura, nenhuma arma, nenhuma delegacia reformada”, afirmou Mateus.

Cleitinho respondeu que as emendas destinadas por ele podem ser investigadas e disse que enviou recursos para diferentes regiões de Minas.

“Vamos no Ministério Público ou até no Dino, no STF, e vamos investigar minhas emendas. Eu não tenho problema nenhum de fazer isso”, disse.

O senador também criticou a atual gestão na relação com profissionais da segurança pública e afirmou que policiais e servidores do sistema socioeducativo estariam fazendo campanha contra Mateus.

O confronto terminou em troca de provocações. Cleitinho disse a Mateus que “perder faz parte”. O candidato do PSD respondeu acusando o adversário de arrogância e prepotência.

“A sua arrogância, a sua prepotência é que faz você ficar desse jeito. Você tem que ser mais humilde, mais calmo”, afirmou Mateus.

Patrus defende fim de isenções; Roscoe contesta

A situação fiscal de Minas também colocou Patrus e Flávio Roscoe em lados opostos. O candidato do PT afirmou que pretende acabar com isenções fiscais que, segundo ele, ultrapassam R$ 25 bilhões.

“Nós temos isenções fiscais e vamos trabalhar para acabar com essas isenções fiscais. Mais de R$ 25 bilhões de isenções fiscais para pessoas ricas que podem pagar”, declarou Patrus.

O petista também disse que pretende abrir as contas públicas e mostrar receitas e dívidas do Estado.

Roscoe discordou da proposta e argumentou que os incentivos fiscais foram utilizados para atrair investimentos e ampliar a arrecadação.

“Infelizmente, o caminho das isenções fiscais não é a resposta correta. As isenções fiscais foram dadas para atrair recurso para Minas Gerais”, afirmou.

O candidato do PL também cobrou Patrus sobre a origem dos recursos necessários para financiar as propostas apresentadas e defendeu ampliar a atividade econômica para gerar receitas.

Escola Plural vira alvo de Gabriel

Gabriel Azevedo concentrou parte do confronto com Patrus na Escola Plural, política educacional associada à passagem do petista pela Prefeitura de Belo Horizonte.

O candidato do MDB questionou Patrus sobre uma tentativa de impedir judicialmente publicações nas redes sociais relacionadas ao assunto e criticou o modelo educacional.

Patrus respondeu que pretendia discutir o presente e o futuro e afirmou que a Escola Plural não integra o atual projeto de governo.

“O passado a gente aprende com ele. Nós estamos aqui para discutir o presente e o futuro. […] A Escola Plural não está presente no nosso projeto de governo”, afirmou.

Gabriel insistiu no assunto e atribuiu ao modelo a aprovação de estudantes sem aprendizagem adequada.

“Como era essa escola que passava as crianças sem que elas soubessem ler e escrever direito?”, questionou.

Patrus disse ter orgulho do legado da gestão dele em Belo Horizonte, mas afirmou que estava no debate para apresentar propostas para o Governo de Minas.

Gabriel também criticou a ausência de Patrus nos debates anteriores e afirmou que uma eventual presença do petista no segundo turno favoreceria Cleitinho. A avaliação foi feita pelo próprio candidato do MDB durante o confronto.

‘Não estou aqui como advogado do Pimentel’

Fernando Pimentel também foi citado durante uma discussão entre Patrus e Cleitinho.

Patrus havia perguntado ao senador quais eram as propostas dele para o desenvolvimento econômico e social das regiões de Minas. Cleitinho respondeu lembrando uma declaração atribuída ao petista de que um eventual governo dele seria “um desastre” e questionou Patrus sobre o desempenho de Minas durante a gestão Pimentel.

“Como é que foi o desenvolvimento econômico e social do Pimentel, na época do PT?”, perguntou.

Patrus rejeitou a associação.

“Eu não estou aqui como advogado do Pimentel. Os candidatos, como não podem falar nada contra mim, como não têm nada para dizer das minhas gestões, prefeito de Belo Horizonte, ministro, deputado federal, ficam colocando outras pessoas”, afirmou.

O petista disse que responde pela própria trajetória e defendeu políticas públicas formuladas a partir das características das diferentes regiões de Minas.

Interior, saúde e estradas entram no debate

No mesmo confronto, Cleitinho afirmou que pretende descentralizar serviços de saúde e fortalecer hospitais filantrópicos e Santas Casas no interior.

O senador criticou as condições das estradas e relatou ter encontrado uma pessoa que, segundo ele, havia percorrido cerca de 800 quilômetros desde o Norte de Minas para levar um paciente a uma consulta.

“A gente precisa regionalizar, a gente precisa descentralizar daqui e levar para o interior”, afirmou.

Na economia, Cleitinho defendeu redução da burocracia para empreendedores e produtores. O candidato também afirmou que pretende criar uma estrutura administrativa no Vale do Jequitinhonha.

Cleitinho e Kalil discutem pedágios no Sul de Minas

As estradas voltaram ao centro do debate durante o confronto entre Cleitinho e Alexandre Kalil.

Cleitinho criticou os valores cobrados em pedágios no Sul de Minas e afirmou que pretende revisar os contratos.

“A gente está falando de pedágio, gente, de R$ 15 a R$ 16, sem nenhuma duplicação”, afirmou.

O candidato prometeu rever “contrato por contrato” caso seja eleito e disse que as empresas não devem ser beneficiadas em detrimento dos usuários.

Kalil respondeu que o Sul de Minas enfrenta questões que, na avaliação dele, vão além dos pedágios. O candidato citou possíveis efeitos da reforma tributária sobre empresas da região e defendeu incentivos para preservar atividades econômicas e empregos.

“Lá tem coisa muito mais complexa que pedágio. Porque pedágio você tira mesmo e tira em um dia, mas tem coisa mais complexa que precisa de governo e precisa de gente que sabe fazer”, afirmou.

Kalil também defendeu ampliar a industrialização ligada à produção de café no estado. Segundo ele, Minas deveria avançar na comercialização de produtos acabados em vez de concentrar a atividade na venda do produto sem processamento.

Eleições 2026 Siga no Google News
Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.