Mateus Simões (PSD) acusou o deputado federal Euclydes Pettersen de ter oferecido R$ 10 milhões em propina para que ele facilitasse um contrato, durante embate com Cleitinho Azevedo (Republicanos) no debate da TV Globo nesta terça-feira (29/9). Segundo Mateus, a suposta oferta ocorreu durante um casamento e foi relatada por ele ao senador há cerca de um ano. Cleitinho, que havia provocado o adversário a falar sobre pessoas próximas à campanha dele, rebateu ao questionar a relação de Mateus com outro aliado e disse que o candidato do PSD também teria viajado de aeronave com essa pessoa.
A acusação surgiu depois que Cleitinho citou pessoas próximas à campanha dele e disse que Mateus poderia falar sobre elas.
“Você está sempre falando do Euclydes, falando do Alex, que acabou de falar, você já disse do meu vice também, o Falcão, que te respeita muito, inclusive o meu irmão. Eu queria que você falasse deles. Fica à vontade”, afirmou.
Mateus respondeu que nunca havia falado publicamente sobre o episódio envolvendo Euclydes, mas decidiu relatá-lo após a provocação.
“Em todo o meu tempo de vida pública, uma única pessoa me ofereceu propina: Euclydes Pettersen. Tentou me oferecer R$ 10 milhões no meio de um casamento para que eu pudesse facilitar um contrato para ele”, acusou.
Mateus afirmou que não aceitou a suposta proposta e disse ter denunciado o episódio. O candidato também alegou que contou a Cleitinho detalhes do caso, incluindo datas, horário e o nome da empresa envolvida.
Segundo Mateus, Euclydes teria dito ainda que o pagamento poderia ocorrer anualmente.
“Ele ainda me disse, na hora que eu falei: ‘Você está doido?’, ele disse: ‘Pode ser por ano, porque o contrato aguenta’”, declarou.
As acusações foram feitas por Mateus durante o debate. Não há, no material disponibilizado à reportagem até o momento, manifestação de Euclydes Pettersen sobre as declarações.
Mateus diz que alertou Cleitinho
Mateus afirmou que esteve no gabinete de Cleitinho há cerca de um ano para alertá-lo sobre Euclydes.
O candidato do PSD disse ainda que, durante conversas sobre uma possível união política, Cleitinho teria mencionado a possibilidade de Euclydes ocupar a vaga de vice.
“Todas as vezes que eu conversei com o Cleitinho para pedir que nós nos uníssemos para deixar a esquerda fora do poder, ele me disse: ‘Mas o Euclydes talvez tenha que ser o meu vice, não tem jeito’”, afirmou Mateus.
Segundo o candidato, ele teria dito a Cleitinho que não se reuniria com Euclydes sem testemunhas.
Mateus também criticou as relações políticas do adversário e pediu que Cleitinho se afastasse dessas pessoas.
“Cleitinho, para com isso, se liberta dessas amizades, não se deixa cercar por esse tipo de gente”, disse.
Cleitinho questiona Mateus sobre aeronave
Cleitinho rebateu trazendo para o confronto a relação de Mateus com outra pessoa, cujo nome não foi citado nesse trecho do debate.
“Você vai negar também que você esteve no meu gabinete e lá em Divinópolis, andando de aeronave com esse aí que você diz que está sendo denunciado agora por homicídio? Você vai negar?”, questionou.
Mateus confirmou que esteve com a pessoa, mas afirmou que o encontro ocorreu a pedido de Cleitinho e antes das acusações mencionadas pelo adversário.
“Não, eu estive com ele lá, a seu pedido, e ele ainda não era acusado de nenhum dos crimes pelos quais ele está sendo acusado agora, porque ele é o seu suplente”, respondeu.
Segundo Mateus, Cleitinho pediu que ele fosse a Divinópolis para uma conversa e o suplente do senador teria sido responsável pelo deslocamento.
Mateus afirmou ainda que não voltou a se encontrar com a pessoa depois das acusações citadas durante o debate.
Ao final, o candidato do PSD voltou a questionar Cleitinho sobre as pessoas próximas ao senador.
“Você é que está chamando o tema. Bate no peito e explica a sua relação com essas pessoas”, afirmou.