O empresário Pedro Lourenço, dono da SAF do Cruzeiro, ganhou espaço nas articulações dos clubes brasileiros após a medida provisória que proibiu a operação e a publicidade de casas de apostas no país. Em conversas entre dirigentes na última segunda-feira (28/9), Pedrinho participou das discussões que levaram clubes a desistirem de enviar representantes para uma reunião com membros do governo federal, inicialmente marcada para terça-feira (29/9). O encontro acabou adiado para depois do primeiro turno das eleições.
Segundo informação trazida por Jorge Nicola, colunista da 98, Pedro Lourenço tem defendido que os clubes não sejam envolvidos em uma agenda política, especialmente às vésperas das eleições. O empresário também passou a ser procurado por dirigentes de clubes de São Paulo e do Rio de Janeiro para discutir os próximos passos das articulações, que têm como uma das possibilidades a paralisação do Campeonato Brasileiro.
A ideia seria pressionar o governo federal e a CBF por mudanças na medida e por alternativas para reduzir o impacto financeiro provocado pela saída das bets. A paralisação, porém, ainda não está definida e depende de um acordo entre os 20 clubes da Série A. A proposta em discussão é interromper a próxima rodada, marcada para quarta (7/10) e quinta-feira (8/10), caso haja consenso entre as equipes.
A mobilização ocorre diante da preocupação com a perda de receitas de patrocínio: 14 dos 20 clubes da Série A tinham uma casa de apostas como patrocinadora máster, segundo levantamento publicado nesta semana. Em Minas Gerais, Atlético e Cruzeiro podem perder cerca de R$ 200 milhões por ano em receitas relacionadas às bets, considerando valores de patrocínio, espaços nas camisas e vendas de placas de publicidade.
