Alexandre Kalil (PDT) pediu à Procuradoria-Geral de Justiça de Minas Gerais informações sobre a existência de registro ou investigação relacionada à acusação feita por Mateus Simões (PSD) contra o deputado federal Euclydes Pettersen, presidente do Republicanos em Minas e aliado de Cleitinho Azevedo. Durante o debate da TV Globo, na terça-feira (29/9), Mateus afirmou que Euclydes teria oferecido R$ 10 milhões em propina para que ele facilitasse um contrato. O requerimento apresentado nesta quarta-feira (30/9) busca saber se o episódio foi formalmente comunicado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), como Mateus afirmou ter feito.
O pedido foi protocolado após a acusação vir a público durante um confronto entre Mateus e Cleitinho no debate.
Na ocasião, Cleitinho provocou o adversário a falar sobre pessoas próximas à campanha dele, entre elas Euclydes. Mateus respondeu relatando um episódio que, segundo ele, ainda não havia tornado público.
“Em todo o meu tempo de vida pública, uma única pessoa me ofereceu propina: Euclydes Pettersen. Tentou me oferecer R$ 10 milhões no meio de um casamento para que eu pudesse facilitar um contrato para ele”, acusou Mateus.
Segundo o candidato do PSD, ele não aceitou a suposta proposta e denunciou o caso. Mateus também afirmou que contou o episódio a Cleitinho há cerca de um ano, durante uma conversa no gabinete do senador.
Mateus disse ainda que, ao questionar Euclydes sobre a oferta, teria ouvido que o pagamento poderia ocorrer anualmente.
“Ele ainda me disse, na hora que eu falei: ‘Você está doido?’, ele disse: ‘Pode ser por ano, porque o contrato aguenta’”, declarou durante o debate.
Kalil quer saber se denúncia foi registrada
No requerimento, Kalil busca confirmar se existe notícia-crime, representação, notícia de fato, procedimento investigatório criminal, inquérito civil ou outro expediente no MPMG relacionado à acusação.
Caso exista um registro, o candidato solicita informações como número de identificação, natureza do procedimento, órgão responsável e situação atual.
O documento também pede que, caso o conteúdo esteja sob sigilo, o Ministério Público informe ao menos a existência do expediente e a base legal para a restrição. Se não houver qualquer registro, Kalil solicita uma certidão formal de inexistência de procedimento.
O requerimento não pede acesso ao conteúdo protegido por sigilo nem a informações que possam comprometer eventuais investigações em andamento.
Kalil cita ainda a Lei de Acesso à Informação (LAI) para sustentar o pedido e argumenta que eventuais restrições de acesso precisam ser justificadas.
Contrato envolveria a Prodemge
De acordo com o requerimento apresentado por Kalil, a suposta oferta relatada por Mateus teria como contrapartida uma intervenção em favor de uma empresa em uma negociação envolvendo a Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (Prodemge).
Durante o debate, Mateus afirmou ter denunciado o episódio para impedir que Euclydes se aproximasse de contratos da companhia.
“Não só não facilitei, como denunciei o fato para que nunca ele possa chegar perto dos contratos da Prodemge”, afirmou.
O requerimento foi assinado pelo advogado Tarcísio Maciel Chaves de Mendonça e registrado sob o número SEI nº 19.16.6293.0083152/2026-20. A solicitação pede que a resposta seja apresentada dentro do prazo previsto na Lei de Acesso à Informação.