O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), descartou integrar a gestão de Cleitinho (Republicanos), eleito em 4 de outubro para comandar o estado. Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da 98 News, nesta sexta-feira (9/10), Simões afirmou que pretende retomar suas atividades profissionais após deixar o cargo.
O governador recebeu 530.292 votos, o equivalente a 4,65% dos votos válidos, e terminou a disputa em quarto lugar.
“Eu não tenho intenção de permanecer na política”, afirmou Simões, que pretende voltar a atuar como produtor rural, advogado, professor e gestor de ativos.
Cleitinho chama, mas Mateus não fica
No dia da eleição, Cleitinho afirmou que pretendia convidar Simões para permanecer no governo e dar continuidade às medidas positivas da atual administração. O governador, porém, disse que não vê sentido em participar de uma gestão com propostas diferentes das suas.
“Não tenho nenhum interesse em participar do governo, mas vou fazer a transição com toda tranquilidade, transparência”, declarou.
Professor em cursos sobre transição de governo, Simões afirmou que pretende conduzir o processo de forma profissional. Apesar das diferenças, disse que torce pelo sucesso da próxima administração.
PSD deve negociar posição na Assembleia de Minas
Sobre o posicionamento do PSD na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Mateus destacou o peso da bancada, formada por nove deputados estaduais, nas articulações com o governo eleito.
“Jamais haverá por parte do PSD uma postura de oposição programática ao governo Cleitinho”, afirmou.
Apesar de afastar a possibilidade de oposição sistemática, o governador não confirmou se o partido integrará a base aliada de Cleitinho. A definição dependerá das negociações previstas para as próximas semanas.
Mateus admite que faltou popularidade para conquistar Minas
Ao avaliar a derrota, Simões evitou responsabilizar aliados, como o ex-governador Romeu Zema e o deputado federal Marcelo Aro, e atribuiu o resultado à escolha dos eleitores.
O governador reconheceu que seu perfil técnico e voltado à gestão não correspondeu à preferência do eleitorado.
“O Mateus que a gente apresentou é o Mateus. É um Mateus resolvedor de problemas, um gestor público. Não é o perfil que a população queria para esse momento”, declarou.
Simões também ressaltou a força de candidatos com apelo popular e presença nas redes sociais. Durante a campanha, teve o maior tempo de propaganda eleitoral gratuita entre os concorrentes ao governo de Minas, com 2 minutos e 46 segundos por bloco no rádio e na televisão, mas terminou a disputa em quarto lugar.
Governador defende contrato de pedágio no Sul de Minas
Durante a entrevista, Simões criticou a decisão do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) de suspender o reajuste das tarifas de pedágio nas rodovias concedidas no Sul de Minas.
O governador defendeu o cumprimento do contrato de concessão e afirmou que o aumento estava previsto nas regras estabelecidas. Também alertou que a suspensão pode influenciar os reajustes futuros.
“Contrato a gente cumpre, porque mineiro é gente séria, mineiro cumpre contrato”, afirmou.
Simões disse esperar que o tribunal reveja a decisão e argumentou que o adiamento poderá resultar em aumentos posteriores maiores, conforme as regras contratuais.
Trilhas de Futuro é apontado como principal legado
Ao falar sobre o legado de sua gestão, Simões destacou o Trilhas de Futuro, programa estadual de formação profissional. Segundo ele, a iniciativa é o projeto de que mais se orgulha.
O governador também citou a regularização das contas públicas, a alimentação escolar, a ampliação da assistência primária à saúde e os investimentos em infraestrutura.
Entre as obras mencionadas, estão o Rodoanel da Região Metropolitana de Belo Horizonte e a expansão do metrô da capital.