O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) comemorou, neste domingo (11/10), a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp. Em nota, a campanha do senador classificou a medida como uma “vitória da verdade” e afirmou que o espaço era utilizado para orientar a militância a disseminar conteúdos considerados falsos pela Justiça Eleitoral.
“A decisão representa uma vitória da verdade e da integridade do processo eleitoral diante da utilização abusiva das plataformas digitais”, afirmou a campanha.
Segundo Flávio, a decisão não teve como alvo manifestações políticas ou a mobilização de apoiadores, mas a circulação de informações cuja falsidade, conforme sustenta a campanha, já havia sido reconhecida pelo TSE.
“O que levou à intervenção da Justiça não foi a manifestação de opiniões políticas, a crítica a adversários ou a mobilização de eleitores, mas a distribuição reiterada de informações cuja falsidade já havia sido reconhecida pelo próprio TSE, acompanhada de comandos para sua reprodução em escala massiva”, diz a nota.
Campanha acusa Janones de orientar militância
A campanha de Flávio afirma que gravações atribuídas a Janones mostram orientações sobre a atuação dos integrantes do grupo nas redes sociais.
“Gravações revelam que Janones comandava a militância, ensinava a construir narrativas e orientava seguidores a compartilhar mensagens sem verificar seu conteúdo”, afirmou.
A nota também cita um vídeo de 10 de setembro no qual, de acordo com a campanha, Janones teria explicado aos integrantes como apresentar “versões distintas” de um mesmo episódio.
A campanha afirma que o deputado utilizou acusações contra Flávio como exemplo e explicou como uma decisão judicial poderia ser divulgada com destaque apenas para trechos considerados favoráveis à narrativa pretendida.
“É isso que eu chamo de versão dos fatos, não é uma mentira”, teria afirmado Janones no conteúdo citado pela campanha.
TSE determinou suspensão do canal
Nunes Marques determinou que o WhatsApp suspendesse o “Exército do Lula” em até três horas após a notificação. A medida deverá permanecer em vigor até a homologação do resultado do segundo turno.
O canal reunia mais de 3 milhões de usuários e era utilizado por Janones para mobilizar apoiadores da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na decisão, o presidente do TSE afirmou que a estrutura havia se tornado um meio de disseminação de conteúdos que a Corte já considerou sem sustentação mínima.
Nunes Marques também determinou que a Meta apresente, em até 48 horas, informações sobre as medidas adotadas contra o canal, a existência de outros espaços administrados por Janones e as mensagens publicadas, inclusive aquelas eventualmente apagadas.
Lula critica decisão
Mais cedo, Lula reagiu à suspensão e acusou a Justiça Eleitoral de interferir na disputa presidencial.
“Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição”, afirmou.
O presidente disse ainda perceber “muitas decisões tendenciosas” contra a própria candidatura e informou que a equipe jurídica deverá questionar a medida.
Janones também criticou a suspensão. Em mensagem divulgada no “Exército do Lula”, o deputado negou disseminar notícias falsas e afirmou ser alvo de perseguição por parte do TSE.