A senadora eleita Marília Campos (PT) defendeu a criação de uma política de compensação financeira para reduzir o peso da dívida de Minas Gerais com a União. Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da 98 News, ela argumentou que a contribuição do estado às exportações brasileiras deve ser considerada nas negociações sobre o pagamento do débito, estimado em R$ 212 bilhões.
“O que nós precisamos fazer é discutir uma política de compensação pela contribuição que Minas já dá para a União. Hoje nós temos a estadualização da dívida, ou seja, do ônus, e a nacionalização do bônus”, afirmou.
Marília também defendeu mudanças no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Segundo a senadora eleita, apesar da redução dos juros e da ampliação do prazo de parcelamento, o programa não resolveu o problema do valor principal da dívida.
Ela citou a previsão de déficit de R$ 10 bilhões para 2027 e afirmou que Minas poderá desembolsar entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões com o pagamento da dívida, comprometendo investimentos em saúde, educação e infraestrutura.
“Eu diria que a gente poderia voltar ao critério que era anterior, entrar com mais prazo para ficar em dia com a União”, declarou, ao defender uma revisão das condições de pagamento previstas no Propag.
A senadora eleita propôs ainda uma negociação conjunta entre a bancada federal mineira, o governo estadual e a União. Para ela, Minas deve buscar uma solução que considere suas características econômicas, especialmente a participação nas exportações.
“Minas Gerais tem que colocar na mesa uma política de compensação e não de perdão da dívida”, ressaltou.
Marília afirmou que pretende dialogar com o também senador eleito Domingos Sávio (PL) para construir uma proposta conjunta em defesa dos interesses do estado.
