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Afinal de contas, Lula é corrupto?

Por Marina Schettini • Rede 98
20/10/2026 19:00 Atualizado há 42 minutos
Na foto, presidente Lula
Presidente Lula (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

É essa a pergunta que o presidente finalmente resolveu responder. Depois de anos ouvindo os bolsonaristas gritarem aos quatro ventos “Lula ladrão”, ele resolveu confrontar Flávio Bolsonaro com o desafio de abrir suas contas e as de seus familiares. Mas o que isso quer dizer? Que Lula entendeu que é hora de fazer política, de jogar para a plateia e, talvez, que ninguém quer saber sobre o legado dele. O eleitor quer saber como vai ficar a sua própria vida. O que é muito justo. E ele sabe o impacto da corrupção em sua vida. E qual é o efeito eleitoral da quebra do sigilo? Ainda não dá para saber, mas pode ser o de dar argumentos à militância e ainda atingir aqueles que não são radicalizados: indecisos e/ou desesperançosos.

Mas o efeito prático desse desafio não deve ser grande do ponto de vista dos esclarecimentos à população. Primeiro, porque, se Flávio não fizer o mesmo, não há razão de ser do ponto de vista do eleitorado. E Lula se compromete a abrir as contas porque sabe que nelas não há nada ilegal. Além disso, deixar as contas disponíveis não é o mesmo que encomendar uma auditoria ou mesmo pedir que a polícia confira se está tudo dentro dos conformes. E, para terminar, Lulinha, o filho mais conhecido, já é alvo de três inquéritos e, portanto, está sendo investigado.

O efeito que esse anúncio pode trazer, porém, para o PT é uma oportunidade de tentar deixar a pecha de ladrão para trás. Ou, pelo menos, de criar um contraponto. Lula e os petistas nunca conseguiram se desvencilhar da marca que começou lá no mensalão. O PT tem dificuldades de se defender, de fazer mea-culpas. Foi assim em Minas. O partido parece preferir abrir mão de comandar um Estado com o tamanho e o peso político daqui porque não sabe, não quer ou nem tenta defender a gestão de Pimentel. Ou mesmo dizer: “Sim, erramos, mas aprendemos e não vai se repetir”. Isso ajuda a explicar o antipetismo — ou tem grande peso nessa explicação.

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Marina Schettini
Marina Schettini
Jornalista com passagens pelos jornais O Tempo e Super Notícia. Formada pelo Uni-BH com especialização em culturas midiáticas pela UFMG, tem a política como sua principal área de atuação.