O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, deu 24 horas para a Meta apresentar um relatório técnico sobre o canal “Exército de Lula”, no WhatsApp. A determinação atende a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que questiona a atuação da ferramenta e cobra informações sobre o cumprimento das regras eleitorais pela empresa.
O relatório deverá apontar se houve sincronização de atividades entre contas, replicação de mensagens e atuação coordenada em diferentes plataformas. A Meta também terá de apresentar dados sobre alcance, compartilhamentos e possível amplificação artificial de conteúdos.
A decisão exige ainda informações sobre a circulação de mensagens encaminhadas, conteúdos excluídos ou modificados e eventual uso de publicidade paga ou impulsionamento. A empresa deverá explicar quais critérios utiliza para diferenciar mobilizações legítimas de comportamentos coordenados potencialmente irregulares.
TSE também cobra informações do Google
Além da Meta, Nunes Marques determinou que o Google informe se identificou amplificação coordenada de termos e hashtags entre 18 e 20 de outubro. A apuração envolve buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento.
O ministro quer comparar as medidas de integridade eleitoral informadas pelas empresas com o funcionamento efetivo das ferramentas questionadas. A decisão também exige uma resposta fundamentada aos pedidos apresentados no processo.
Canal ‘Exército de Lula’ teve suspensão e reativação
A disputa começou após a campanha de Flávio Bolsonaro pedir ao TSE a suspensão do canal, sob alegação de divulgação de informações falsas.
Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou a suspensão da página. No mesmo dia, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem e permitiu a reativação do canal. Uma análise técnica do TSE não identificou conteúdos falsos entre as publicações examinadas que estavam disponíveis naquele momento.
Em 13 de outubro, Nunes Marques condicionou o funcionamento do canal ao registro formal na Justiça Eleitoral. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu a exigência e registrou o endereço eletrônico no tribunal.
O canal é administrado pelo deputado federal André Janones. A defesa de Lula afirmou que o registro foi feito para cumprir a determinação judicial e não representava assumir a administração da ferramenta.
Após uma nova decisão que tirou o canal do ar, Nunes Marques determinou, em 14 de outubro, o restabelecimento integral do serviço. A ordem incluiu a liberação de novas publicações e a entrada de seguidores.