O Partido Liberal (PL) oficializou, nesta quarta-feira (4/11), a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal. Atual líder da oposição, o parlamentar pretende enfrentar Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca permanecer no comando da Casa em 2027. Entre as prioridades anunciadas por Marinho está a votação do projeto de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado.
A candidatura foi confirmada durante uma reunião em Brasília, que reuniu cerca de 30 senadores, incluindo parlamentares eleitos para a próxima legislatura. O PL também iniciou articulações com outras legendas para ampliar o apoio ao candidato.
“O Congresso Nacional vai nos dar condição de destravar a pauta e vamos permitir que o projeto da anistia seja apreciado”, afirmou Marinho.
Ex-ministro do Desenvolvimento Regional no governo Jair Bolsonaro, Marinho coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro.
Marinho defende voto aberto e fala sobre STF
Durante o lançamento, Marinho defendeu a adoção do voto aberto na eleição para a presidência do Senado. Atualmente, a escolha do presidente da Casa ocorre por votação secreta.
Segundo o parlamentar, a mudança permitiria aos eleitores acompanhar o posicionamento dos senadores e evitar o que classificou como “estelionato eleitoral”.
“Voto aberto é extremamente recomendável e necessário, mas vamos avaliar de que forma podemos fazer”, declarou.
O senador também afirmou que não pretende transformar a candidatura em uma campanha pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), embora tenha defendido a análise de eventuais denúncias por crimes de responsabilidade.
“Evidente que não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, somos candidatos defendendo a Constituição. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, não seremos omissos, mas não vamos antecipar ou fazer juízo de valor”, afirmou.
Marinho também criticou a distribuição de espaços nas comissões do Senado e prometeu respeitar a participação da oposição caso seja eleito.
“Se ganharmos, vamos tratar de forma diferente. Vamos respeitar a democracia e a dissidência”, disse.
Oposição busca acordo com Tereza Cristina
A candidatura de Marinho ainda enfrenta uma disputa interna no campo da oposição. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, também pretende concorrer à presidência do Senado.
Marinho afirmou que conversou com a parlamentar nesta quarta-feira e que os dois deverão buscar um entendimento antes da eleição.
“A Tereza tem toda a legitimidade para ser candidata. Conversamos pela manhã. Ela naturalmente vai tentar viabilizar sua candidatura e, em momento oportuno, vamos convergir”, declarou.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), também defendeu a senadora e criticou ataques feitos por integrantes da direita contra ela.
“Queria lamentar alguns posicionamentos da direita sobre a Tereza Cristina. Ela sempre esteve em todas as nossas reuniões com Rogério Marinho. É nossa aliada”, afirmou.
Apesar das conversas, Tereza Cristina ainda não sinalizou que pretende desistir da disputa.
Alcolumbre reúne apoio de partidos
O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, conta com o apoio das direções de MDB, PSD e PT, além dos presidentes das legendas que integram a federação União-PP, Antonio Rueda e Ciro Nogueira.
Marinho, por sua vez, aposta no tamanho da bancada do PL e na aproximação com parlamentares de outras siglas. Entre os presentes no lançamento estavam Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR).
A eleição para a presidência do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027. Para vencer, um candidato precisa conquistar pelo menos 41 dos 81 votos.
Na Câmara dos Deputados, o PL ainda avalia se apoiará a recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) ou se lançará um nome próprio. A definição está prevista para a próxima quarta-feira (11/11).