PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Vítimas celebram condenação da BHP no caso da tragédia de Mariana: ‘Meu filho agora vai poder descansar em paz’

Siga no

Em meio a um longo percurso de dor, atingidos classificam a condenação da mineradora BHP, em Londres, como um marco de esperança (Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Compartilhar matéria

Depois de mais de uma década do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, as vítimas da tragédia começam, enfim, a vislumbrar que a Justiça pode estar mais próxima de ser plenamente cumprida. Em meio a um longo percurso de dor, luta e espera, familiares e atingidos classificam a condenação da mineradora BHP, em Londres, como um marco de esperança e reconhecimento.

“Hoje, para mim, o sentimento é de gratidão. Gratidão, primeiramente, a Deus, porque eu nunca perdi a fé. E Deus enviou vocês, porque, se não fosse por vocês, a gente estaria sem justiça. Hoje o sentimento é só de alegria, de gratidão. Foi a noite mais longa durante esses 10 anos”. A fala é de Gelvana Rodrigues, mãe de Thiago Damasceno, menino de 7 anos que morreu após ser arrastado pelos rejeitos.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Para ela, o desfecho representa um passo essencial no processo de reparação. “A justiça prevaleceu, e o mais importante é isso para a gente. Meu filho agora vai poder descansar em paz, porque a justiça vai ser feita (…) a vida do meu filho não tinha preço. Não estava a venda”, declarou.

O sentimento de alívio também ecoa entre os moradores de Bento Rodrigues, o distrito arrasado pela enxurrada de lama em 2015. Integrante da Comissão dos Atingidos e moradora da comunidade, Mônica dos Santos destacou que a decisão recente simboliza uma conquista histórica após anos de mobilização.

“Hoje é um momento de muita comemoração e muita alegria. São 10 anos buscando a tão sonhada justiça e 8 anos da ação inglesa. Que esse marco sirva para que a nossa Justiça brasileira aprenda, o que ela não fez nesses 10 anos”, afirmou.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Condenação da BHP

A Justiça do Reino Unido responsabilizou a BHP pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, que deixou 19 mortos e devastou o Rio Doce em 2015. A mineradora foi condenada em uma ação coletiva que representa mais de 620 mil atingidos e que pode gerar indenizações de até 36 bilhões de libras (cerca de R$ 266 bilhões).

A juíza Finola O’Farrell concluiu que a empresa atuou como poluidora direta e indireta, com base na legislação ambiental brasileira e no Código Civil, e apontou negligência, imprudência e imperícia no desastre. Segundo a decisão, havia provas claras de que a barragem era instável desde 2014, mas a BHP não tomou medidas preventivas e seguiu elevando a estrutura até o colapso.

O tribunal também rejeitou o argumento de que a BHP não controlava a Samarco, afirmando que a mineradora e a Vale exerciam comando direto sobre a operação e lucravam com ela. A decisão aumenta a pressão internacional por reparação, embora a BHP alegue que o processo no Reino Unido duplica medidas já em curso no Brasil pela Fundação Renova.

Em nota, a mineradora BHP informou que pretende recorrer da decisão da corte britânica. A empresa reforçou o compromisso com o processo de reparação no Brasil e com a implementação do Novo Acordo do Rio Doce.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

“A BHP Brasil, junto à Vale e Samarco, continua empenhada na implementação do acordo firmado em outubro de 2024, o qual assegurou um total de 170 bilhões de reais para os processos de reparação e compensação em curso no Brasil”, informou.

Compartilhar matéria

Siga no

Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Minas Gerais

Zema desiste oficialmente de federalizar a Uemg no ‘pacote Propag’

Fiemg envia colchões à Zona da Mata, doa R$ 1 mi e negocia crédito para indústrias

Procon-MPMG interdita seis comércios e apreende 492 kg de alimentos em Araguari

Rios seguem acima da cota de alerta em MG, BA e ES; São Francisco pode subir nas próximas horas

Minas tem o janeiro mais violento no trânsito dos últimos 11 anos

BH escolhe empresa que vai operar patinetes elétricas na cidade

Últimas notícias

Cruzeiro anuncia prioridade para sócios na compra de ingressos para a final do Mineiro

Atlético acerta contratação de jovem lateral destaque do Flamengo

Guerra impede volta de brasileiros que faziam cruzeiro em Dubai

Caixa volta a financiar aquisição de imóveis acima de R$ 2,25 milhões com recursos da poupança

Depois de meses fora, Lyanco é liberado pelo Departamento Médico do Atlético

Atlético pode usar saída de Junior Santos para contratar zagueiro e volante

SUS inicia teleatendimento gratuito para quem tem compulsão por bets

Guerra impede volta de brasileiros que faziam cruzeiro em Dubai

Eduardo Dominguez dá ‘pistas’ da escalação do Atlético para a final do Mineiro