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Protestos no Irã: Trump ameaça intervir após 65 mortes e especialista alerta: ‘repressão sistemática’

Por

Roberth R Costa

Roberth R Costa
  • 10/01/2026
  • 16:12

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A violência escalou a ponto de atrair atenções vindas da Casa Branca (Reprodução/Redes sociais)

A violência escalou a ponto de atrair atenções vindas da Casa Branca (Reprodução/Redes sociais)

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O cenário no Irã ultrapassou a linha da instabilidade política para se tornar, nas palavras da especialista em Direito Internacional Roberta Abdanur, um caso de “repressão estatal gravíssima e sistemática”. Protestos espalhados por 180 cidades já deixaram pelo menos 65 mortos e mais de 2.300 presos. Os dados foram divulgados neste sábado (10/1), dia em que o país vive manifestações e uma nova onda de violência.

A violência escalou a ponto de atrair atenções vindas da Casa Branca. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu um alerta aos líderes iranianos.

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“Digo aos líderes iranianos: é melhor vocês não começarem a atirar… Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, nós nos envolveremos. Isso significa atingi-los com muita força onde dói”, declarou Trump, ressaltando que a ação não envolveria necessariamente tropas em solo.

Milhares de iranianos protestam pelo país contra o regime do aiatolá Ali Khamenei por conta de uma crise econômica que fez a moeda iraniana perder metade de seu valor. Nessa sexta-feira, o líder supremo disse que o governo não pretende recuar diante dos protestos, classificando os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”.

‘Força Letal’

Para a especialista em Direito Internacional, Roberta Abdanur, o governo iraniano rompeu as barreiras da legalidade ao reprimir os protestos com força policial desproporcional. Segundo ela, desde o final do ano passado, o Estado abandonou a proporcionalidade e adotou o “uso da força letal”.

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“O que tá acontecendo no Irã precisa ser visto com muita clareza. Do ponto de vista do direito internacional dos direitos humanos, trata de uma repressão estatal gravíssima e sistemática. Desde o final do ano passado, os protestos em todo o país vem sendo respondidos com uso da força letal, diversas prisões em larga escalas, detenções que atingem inclusive crianças e adolescentes”, afirma a advogada.

A dificuldade em verificar o número exato de mortos vai de encontro ao que Roberta diz sobre a internet no país. O Irã usou uma espécie de apagão digital como arma de guerra para esconder a crise.

“A repressão ela não se limita só às ruas, né? O Estado impôs bloqueios quase totais à internet, às telecomunicações, restringindo liberdade de expressão, de manifestações e dificultando também a própria documentação independente dessas violações… O controle da informação no país passa a integrar o próprio aparato repressivo”, explica Abdanur.

Khamenei e o ‘policiamento moral’

A crise atual expõe as fraturas internas do país. Abdanur explica por que não há freios institucionais para essa violência: embora existam instituições eleitas, o poder real (Forças Armadas, Segurança e Judiciário) está concentrado nas mãos do Líder Supremo, Ali Khamenei.

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“Apesar de existir instituições de fato eleitas, o poder real tá concentrado no líder supremo, o Ali Khamenei, que controla forças armadas, segurança, judiciário, tornando totalmente ineficaz recursos internos contra abusos”, analisa a especialista.

Nesse vácuo de legitimidade, a figura de Reza Pahlavi, filho do último Xá, ressurge convocando greves nacionais. A especialista, no entanto, pede cautela sobre essa alternativa.

“Isso não representa exatamente uma solução institucional, consensual, dada a memória autoritária também da monarquia e a ausência de um mandato democrático interno”, pondera.

Enquanto isso, a população sofre com o “policiamento moral”, especialmente as mulheres. Abdanur destaca que o regime é marcado pela violência de gênero institucionalizada.

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“Infelizmente, esse regime ele também é marcado por uma repressão contra mulheres e principalmente por causa do policiamento moral… Quando eu falo de policiamento moral, é a questão da obrigatoriedade também do uso do véu e inclusive há toda a questão do uso da tortura, diversas vezes comprovados praticados no país”.

Como os países se posicionam?

Por que o mundo demora a agir de forma concreta? Abdanur aponta para o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). O Irã conta com o “poder direto” de veto de aliados estratégicos como Rússia e China, o que trava investigações internacionais sérias.

“Alianças com a Rússia, a China também dificultam a própria responsabilização internacional do Irã… Elas fazem parte do Conselho de Segurança como membros permanentes e têm o poder de veto. Então, diversas tipos de resoluções, justamente nesse âmbito de investigações de violação de direitos humanos, do próprio direito internacional, muitas vezes são vetadas justamente por isso”.

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A advogada alerta ainda que o regime utiliza tensões externas, como “o tema nuclear”, para “justificar mais repressão” internamente. Ela conclui que a inércia global é perigosa.

“A ausência de resposta consistente da comunidade internacional, ela não é neutra. Ela normaliza essa repressão e acaba enfraquecendo o próprio direito internacional”.

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Atuo há quase 13 anos com jornalismo digital. Coordenador Multimídia. Rede 98 | 98 News

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