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Brasil é campeão mundial em queda de raios e risco aumenta em aglomerações

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Um raio busca sempre o caminho de menor resistência para atingir o solo, priorizando objetos altos e pontiagudos (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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O incidente ocorrido nesse domingo (25/1), durante o ato do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em Brasília, é um exemplo prático da vulnerabilidade do país a fenômenos climáticos extremos. O Brasil é, de fato, o país com a maior incidência de raios no mundo, registrando mais de 70 milhões de descargas anuais devido à sua vasta extensão territorial em zona tropical, o que favorece a formação de tempestades.

A título de comparação, para se ter uma ideia, um raio possui cerca de mil vezes mais intensidade que um chuveiro elétrico. Pode chegar a mais de 30 mil Ampères, com potência capaz de percorrer 5 km de distância.

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A ciência por trás dos raios

Para entender por que 89 pessoas foram atingidas simultaneamente na Praça do Cruzeiro, é preciso analisar a física do raio e os elementos presentes no local.

1. O efeito ‘Para-raios’ do guindaste

Um raio busca sempre o caminho de menor resistência para atingir o solo, priorizando objetos altos e pontiagudos. No ato, um guindaste foi instalado para exibir uma bandeira. Com potência para percorrer 5 km e intensidade de 30 mil ampères, a descarga encontrou na estrutura metálica o condutor perfeito.

2. Condução por contato com grades de metal

A corrente elétrica não parou no guindaste. Ela desceu pela estrutura e se espalhou pelas grades de contenção onde o público estava encostado. Como o metal é um excelente condutor, a grade funcionou como uma extensão do raio, atingindo dezenas de pessoas em uma fração de segundo.

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3. Tensão de passo e proximidade

O coordenador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Osmar Pinto Junior, utiliza o exemplo do gado para explicar riscos em áreas abertas.

Aglomeração: Os manifestantes estavam agrupados em uma área descampada – a Praça do Cruzeiro não possui abrigos.

Tensão de Passo: Quando um raio atinge o solo ou uma estrutura próxima, a eletricidade se espalha pela terra. Se uma pessoa (ou animal) estiver com os pés afastados, a diferença de potencial elétrico entre um pé e outro faz com que a corrente passe pelo corpo.

Por que o risco foi tão alto em Brasília?

Geografia: A Praça do Cruzeiro está no Eixo Monumental, uma área plana e aberta, o que torna qualquer estrutura elevada (como o guindaste do ato) um alvo primário.

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Intensidade: Um raio é mil vezes mais forte que um chuveiro elétrico. Isso explica por que, mesmo sem um impacto direto na cabeça de cada pessoa, as queimaduras e quadros de hipotermia foram generalizados entre os 89 atendidos.

Atualmente, nove pessoas permanecem internadas em Brasília sob observação, evidenciando que, embora o susto tenha sido coletivo, os danos físicos de uma descarga de 30 mil ampères são persistentes.

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Roberth R Costa

Atuo há quase 13 anos com jornalismo digital. Coordenador Multimídia. Rede 98 | 98 News

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