O Carnaval movimenta milhões de pessoas e, em Belo Horizonte, onde a folia de rua se consolidou como uma das maiores do Brasil, a expectativa é de que mais de 6 milhões de pessoas participem da festa neste ano. O que muita gente não percebe é que os excessos muitas vezes cometidos pelas pessoas nesse período podem provocar desequilíbrios importantes no organismo.
Segundo a endocrinologista cooperada da Unimed-BH, Flávia Coimbra Pontes Maia, a combinação típica de consumo excessivo de álcool, poucas horas de descanso e alimentação irregular forma um conjunto de fatores capaz de desregular hormônios essenciais e provocar consequências metabólicas.
“O álcool, por exemplo, interfere diretamente na produção e na ação de hormônios como a insulina e o cortisol, fundamentais para o controle da glicose no sangue e para a resposta do corpo ao estresse”, afirma.
A especialista explica que o sono inadequado também compromete a produção de outros hormônios importantes, como o de crescimento e alguns hormônios sexuais. Com níveis elevados de cortisol, comum em períodos de estresse físico e privação de sono, o corpo tende a ficar mais resistente à insulina, favorecendo picos glicêmicos, acúmulo de gordura corporal e sensação de cansaço.
Durante o Carnaval, episódios de hipoglicemia também podem acontecer, inclusive em pessoas sem diagnóstico de diabetes. “Isso ocorre, por exemplo, quando alguém passa muitas horas sem se alimentar, consome bebida alcoólica e mantém atividade física intensa, como longos períodos dançando. Nessas situações, o álcool inibe a produção de glicose pelo fígado, mecanismo essencial para manter o açúcar no sangue estável. O resultado pode ser tontura, fraqueza, suor frio e até desmaios”, explica a endocrinologista. O risco é ainda maior para quem faz uso de medicamentos para controle do diabetes.
Segundo a médica, o álcool reduz a produção do hormônio antidiurético, aumentando a eliminação de líquidos e levando à desidratação inicial. Ao mesmo tempo, o consumo de bebidas e alimentos ricos em sódio favorecem o inchaço, especialmente em pernas, pés e rosto.
Não existe consumo de álcool sem risco
Dados do Ministério da Saúde indicam que qualquer consumo de bebida alcoólica representa risco à saúde e está associado a diferentes causas de adoecimento, como cirrose hepática, alteração do sistema nervoso, aumento do risco de acidentes e aumento do risco de infecções. Informações da Fundação Oswaldo Cruz mostram que, apenas em 2023, o consumo de álcool foi responsável, em média, por 12 óbitos por hora no Brasil.
Outro efeito frequente que também ocorre após os dias de festa é a queda da imunidade. A médica destaca: “Além de interferir no equilíbrio hormonal, o álcool prejudica a função das células de defesa, deixando o organismo mais vulnerável a infecções virais e bacterianas. A falta de sono e a aglomeração de pessoas potencializam esse risco”, diz a endocrinologista.
Sinais de alerta e quando procurar ajuda médica
Alguns sinais indicam que o organismo pode ter ultrapassado seus limites e exigem avaliação médica. Entre eles estão tontura persistente, desmaios, confusão mental, sonolência excessiva, palpitações, falta de ar, dor no peito, náuseas, vômitos, diarreia, inchaço súbito, ganho de peso rápido, fraqueza intensa e febre.
Esses sintomas podem estar associados à desidratação grave, distúrbios metabólicos, descompensação glicêmica ou infecções.
Cuidados práticos para aproveitar o carnaval com saúde
Os cuidados com a saúde não devem ser deixados de lado durante o Carnaval, que acontece em pleno verão e envolve longos períodos de exposição ao sol, calor intenso e grande esforço físico. “Aproveitar a folia com equilíbrio e atenção ao próprio corpo é a melhor estratégia”, corrobora a médica.
Veja dicas importantes que a Unimed-BH tem para os foliões:
- Hidratação frequente é essencial.
- Evitar longos períodos sem se alimentar e fazer pequenas pausas para refeições ou lanches leves ajuda a manter a energia e a prevenir quedas de glicose.
- O consumo de álcool deve ser limitado e, sempre que possível, intercalado com água.
- A proteção solar é indispensável para reduzir o risco de queimaduras, insolação e danos à pele.
- A prevenção das infecções sexualmente transmissíveis segue sendo essencial, com o uso de preservativos.
- Reservar momentos para o descanso contribui para o equilíbrio hormonal, fortalece o sistema imunológico e ajuda o corpo a se recuperar do esforço físico.
- O uso de repelentes é outra medida importante para prevenir arboviroses como dengue, zika e chikungunya, comuns no verão.
Com informação, atenção aos sinais do corpo e cuidados simples, é possível aproveitar o Carnaval com mais equilíbrio e segurança!
Para mais conteúdos sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida, a Unimed-BH disponibiliza informações atualizadas no portal Viver Bem, em viverbem.unimedbh.com.br.
