Minas Gerais é o estado brasileiro com a maior área urbanizada em encostas íngremes, terrenos inclinados que apresentam maior risco de deslizamentos. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (4/3) no Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil.
No estado, quase 14,5 mil hectares de áreas urbanas estão em regiões de alta declividade, onde a ocupação representa risco para moradores.
Cada hectare equivale a 10 mil metros quadrados, área superior à de um campo de futebol profissional.
Juiz de Fora entre as cidades com maior ocupação em áreas de risco
Entre os municípios brasileiros, Juiz de Fora aparece na terceira posição entre as cidades com maior área urbanizada em terrenos inclinados.
Em 2024, o município registrava 1.256 hectares de construções em áreas com maior risco de deslizamentos.
No ranking nacional, as duas primeiras posições são ocupadas por:
- Rio de Janeiro – cerca de 1,7 mil hectares
- São Paulo – aproximadamente 1,5 mil hectares
Juiz de Fora foi também o município mais afetado pelas chuvas recentes na Zona da Mata mineira, com 65 mortes registradas.
Ocupação em áreas de risco cresce mais rápido que urbanização
O levantamento aponta que a ocupação de terrenos inclinados no Brasil cresceu em ritmo mais acelerado do que a urbanização total das cidades.
Entre 1985 e 2024:
- As áreas urbanas brasileiras passaram de 1,8 milhão para 4,5 milhões de hectares
- Já as áreas urbanizadas em encostas aumentaram de 14 mil para 43,4 mil hectares
Ou seja, enquanto a urbanização geral cresceu 2,5 vezes, a ocupação de áreas de risco mais que triplicou no mesmo período.
Segundo a coordenadora do estudo, Mayumi Hirye, o avanço da urbanização em áreas vulneráveis amplia os impactos de eventos extremos.
“Afetam a todos, mas incidem de forma mais dramática em áreas mais sensíveis e vulneráveis, cuja ocupação tem ocorrido mais rápido do que o ritmo da urbanização total”, afirmou.
Proximidade de rios também aumenta risco
Além das encostas, o estudo aponta outro fator de vulnerabilidade nas cidades: a ocupação de áreas próximas a rios e córregos.
Em 2024, cerca de 1,2 milhão de hectares de áreas urbanas no Brasil apresentavam risco maior de inundação por estarem localizadas em regiões de drenagem natural.
Entre os estados com maior área urbana exposta a esse tipo de risco, o destaque é para o Rio de Janeiro, que somava 108,2 mil hectares nessas condições.
De acordo com o engenheiro ambiental Edmilson Rodrigues, do MapBiomas, as mudanças climáticas tornam esse cenário ainda mais preocupante.
“Diante do aumento dos eventos extremos, é importante monitorar a expansão das cidades em margens fluviais para preservar o ambiente e a qualidade de vida da população”, afirmou.
