A morte de Ali Larijani, um dos principais nomes da segurança e da política do Irã, aprofunda a crise no país em meio à escalada militar com Israel e os Estados Unidos. O governo iraniano confirmou nessa terça-feira (17/3) a morte do chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional após um ataque aéreo em Teerã.
Larijani era apontado como uma das figuras mais poderosas da República Islâmica. Ex-presidente do Parlamento iraniano e ex-negociador nuclear, ele também integrava o círculo mais próximo do aiatolá Ali Khamenei, morto em um ataque no fim de fevereiro, segundo a Reuters e a Associated Press.
Quem era Ali Larijani?
Nascido em Najaf, no Iraque, em 1958, Larijani construiu uma carreira que uniu poder militar, influência política e protagonismo institucional. Ele teve passagem pela Guarda Revolucionária, comandou a rede estatal de rádio e TV do Irã, foi secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e presidiu o Parlamento de 2008 a 2020.
Ao longo da trajetória, assumiu funções centrais no regime iraniano, incluindo as negociações nucleares com o Ocidente, a condução de relações regionais e a resposta do Estado a crises internas. A Reuters o descreve como um articulador decisivo da política de segurança iraniana por décadas.
Ataque amplia vazio no topo do regime
A morte de Larijani representa mais uma perda no alto escalão iraniano desde o início da ofensiva militar contra o país. Segundo a Reuters, ele era o mais alto dirigente iraniano morto desde a morte de Khamenei. A AP também o retrata como peça central na condução do país após a eliminação do antigo líder supremo.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou mais cedo que Larijani havia sido morto. Depois, a informação foi confirmada por autoridades iranianas e pela agência semioficial Fars, segundo a Reuters.
Irã vivia tentativa de conter escalada
Antes da nova fase do conflito, Larijani havia defendido publicamente uma saída negociada para a tensão em torno do programa nuclear iraniano. Ainda assim, seu histórico também foi associado à repressão interna no país, alvo de sanções dos Estados Unidos, segundo a Reuters.
Nos últimos anos, ele foi barrado de disputas presidenciais, mas seguiu influente nos bastidores. Em 2020, foi nomeado conselheiro político de Khamenei e membro do Conselho de Discernimento, órgão importante na estrutura institucional iraniana.
Morte eleva pressão sobre a região
A eliminação de Larijani ocorre em meio à ampliação do conflito regional e a novas ameaças de retaliação por parte do Irã. Autoridades russas condenaram o ataque, enquanto Teerã endureceu o discurso contra propostas de desescalada, segundo a Reuters.
Com a morte de mais um nome do núcleo duro do regime, o cenário no Irã fica ainda mais instável, com reflexos potenciais sobre as negociações nucleares, a sucessão política e a segurança no Oriente Médio. Essa avaliação é uma inferência baseada na posição estratégica que Larijani ocupava e na sequência de ataques contra a cúpula iraniana.
