O patrimônio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado pela Polícia Federal como operador ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, cresceu de R$ 2,9 milhões para R$ 8,4 milhões entre 2019 e 2024. Documentos fiscais e bancários indicam inconsistências entre a renda declarada e os bens acumulados.
Crescimento patrimonial levanta suspeitas
Apesar de declarar uma renda anual que não ultrapassava R$ 660 mil, Mourão acumulou um patrimônio de alto padrão em poucos anos.
Os dados obtidos pela investigação mostram uma evolução de 183% no patrimônio no período analisado, sem lastro compatível nas declarações formais.
Carros e relógios de luxo chamam atenção
Entre os bens declarados, estão veículos e itens de alto valor, incompatíveis com a renda registrada.
- cinco carros, incluindo Audi Q8 e Range Rover Sport SVR
- veículos avaliados em mais de R$ 1,5 milhão
- 12 relógios de luxo de marcas como Rolex, Cartier e Patek Philippe
- coleção avaliada em cerca de R$ 3,7 milhões
- modelo mais caro: Richard Mille estimado em R$ 1,2 milhão
Além disso, Mourão declarou valores em espécie e moeda estrangeira, incluindo cerca de US$ 40 mil.
Empresas são alvo de investigação
As empresas utilizadas por Mourão também estão sob suspeita.
Uma delas, a King Motors Locação de Veículos, movimentou cerca de R$ 11 milhões em 2022, mas não declarou receita no mesmo período e foi registrada como inativa meses depois.
A apuração aponta indícios de que as empresas funcionavam como “contas de passagem” para movimentação de recursos.
Pagamentos milionários não aparecem nas declarações
Segundo a Polícia Federal, Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês por serviços prestados ao grupo investigado.
O valor anual estimado de R$ 12 milhões, no entanto, não aparece nas declarações de imposto de renda nem nas movimentações oficiais das empresas.
Investigação inclui suspeita de pirâmide e grupo de intimidação
Além do caso ligado ao Banco Master, o Ministério Público de Minas Gerais também investiga movimentações de cerca de R$ 28 milhões em contas vinculadas a Mourão entre 2018 e 2021.
As apurações indicam a existência de um grupo organizado para monitoramento ilegal e intimidação de adversários.
Segundo a PF, o núcleo atuava com:
- monitoramento de jornalistas e autoridades
- uso de documentos falsos para se passar por autoridades
- solicitação indevida de remoção de conteúdos em plataformas digitais
O ministro André Mendonça classificou o grupo como uma “milícia privada” em decisão judicial.
Caso ganhou repercussão após morte do investigado
Mourão morreu em março deste ano, após ser preso em Belo Horizonte.
Ele era investigado por atuação em esquemas de vazamento de informações e intimidação ligados ao grupo de Vorcaro.
