O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na última quarta-feira (25/3), a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024.
Os dados mostram que apenas 54,9% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos têm certeza de que receberam a vacina contra o HPV.
A baixa cobertura deixa milhões de jovens vulneráveis ao vírus responsável por 99% dos casos de câncer de colo do útero no país, além de tumores de ânus, pênis, boca e garganta.
Queda na cobertura vacinal e vulnerabilidade
O levantamento revela que a proporção de estudantes vacinados caiu 8 pontos percentuais em comparação com a pesquisa de 2019.
Entre as meninas, a queda foi de 16,6 pontos, registrando 59,5% de cobertura contra 50,3% entre os meninos.
Cerca de 10,4% dos adolescentes afirmaram não estar vacinados.
Outros 34,6% desconhecem seu status vacinal contra o papilomavírus humano.
Esse cenário representa quase 1,3 milhão de jovens desprotegidos e 4,2 milhões com risco potencial de infecção.
Desinformação afasta jovens dos postos de saúde
A falta de conhecimento lidera os motivos para a não vacinação no Brasil.
Metade dos estudantes não imunizados relatou não saber da necessidade de tomar a dose.
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Balallai, explica o impacto desse fator:
“Todo mundo acha que a hesitação vacinal se resume às fake news, mas não é isso. A desinformação é só uma das coisas que causam a hesitação vacinal. As outras são a falta de acesso, a baixa percepção do risco da doença e a falta de informação. E isso é um problema máximo no Brasil. Muitas pessoas não sabem quando têm que se vacinar e quais as vacinas disponíveis.”
Outros motivos incluem a recusa dos pais (7,3%), o desconhecimento sobre a função da vacina (7,2%) e a dificuldade de acesso aos locais de vacinação (7%).
Diferenças entre ensino público e privado
A pesquisa do IBGE identificou variações conforme a rede de ensino.
Nas escolas públicas, 11% dos alunos não se vacinaram.
Na rede privada, o índice de não vacinados é de 6,9%.
No entanto, a resistência dos pais é a razão da recusa para 15,8% dos alunos de escolas particulares, contra apenas 6,3% na rede pública.
Vacinação nas escolas como solução
Para a SBIm, o ambiente escolar é estratégico para reverter a baixa adesão à vacina.
“Quando você pega os principais fatores de hesitação vacinal, a escola resolve todos eles. Resolve a desinformação, educando o adolescente. Resolve a falta de informação, quando eles são informados que vai ter a vacinação. Resolve o acesso, porque é muito difícil levar um adolescente ao posto de saúde, mas vacinar na escola é muito mais simples. E resolve a conscientização dos pais”, afirma Balallai.
A jornalista Joana Darc Souza, residente no Rio de Janeiro, mantém as vacinas das filhas em dia e relata a ocorrência de campanhas nas escolas municipais que elas frequentam.
“Eu nunca tive dúvida em relação à eficácia e sempre defendi que vacina salva vidas. Isso é uma coisa que eu aprendi em casa, quando ainda era criança, e hoje eu replico com as minhas filhas.”
Ministério da Saúde promove resgate vacinal
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina gratuitamente em todas as unidades de saúde para a faixa etária de 9 a 14 anos.
Desde 2024, o esquema vacinal contra o HPV ocorre em dose única.
Dados preliminares do Ministério da Saúde referentes a 2025 indicam uma melhora na cobertura, atingindo 86% entre meninas e 74,4% entre meninos.
Para ampliar a proteção, a pasta realiza uma estratégia de resgate vacinal.
A ação foca em adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam o imunizante na idade recomendada.
A campanha segue até junho de 2026, com foco em ações dentro das escolas.
Os cidadãos podem verificar seu histórico de imunização por meio do aplicativo Meu SUS Digital.
*Com informações de Agência Brasil
