O custo de produção, a burocracia, a modernização tecnológica e a qualificação profissional estão entre os principais temas debatidos durante o Imersão Indústria, realizado em Belo Horizonte.
Um dos destaques da programação foi a discussão sobre a Lei Geral do Licenciamento Ambiental. Em entrevista à 98 News, o gerente de meio ambiente e relações institucionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Thiago Cavalcante, explicou o papel da nova legislação.
“É uma lei que vai dizer o que um empreendedor precisa apresentar para o estado, município ou União para conseguir a autorização ambiental para funcionar”, afirmou.
Segundo ele, a proposta busca reduzir a complexidade regulatória que hoje impacta diretamente o ambiente de negócios.
“A gente tinha mais de 27 mil normas sobre o tema no Brasil. A lei traz uniformidade e melhora o ambiente de negócios, com potencial de atrair investimentos e reduzir o custo Brasil”, disse.
Burocracia
Segundo Thiago, apesar da expectativa de avanço, o licenciamento ambiental ainda é visto como um dos principais entraves para novos empreendimentos no país.
“Hoje o licenciamento é um grande gargalo. Há casos que levam cinco, dez anos ou até mais para serem concluídos, devido à burocracia e aos conflitos entre normas”, destacou Cavalcante.
Parte da nova lei já está em vigor, mas a aplicação depende de regulamentação por estados e municípios, o que ainda é um desafio, inclusive em Minas Gerais.
Tecnologia
Além da burocracia, o evento também abordou a necessidade de modernização da indústria, com a adoção de tecnologias ligadas à chamada Indústria 4.0, como automação e inteligência artificial.
Para o gerente de meio ambiente, esse avanço, no entanto, esbarra na dificuldade de contratação de profissionais qualificados, um problema recorrente apontado por empresas do setor.
Sustentabilidade
A agenda ambiental também foi tratada como fator estratégico para a indústria, especialmente em estados com forte presença de atividades como mineração. Para Thiago, é possível conciliar crescimento econômico e preservação ambiental.
“É possível ter desenvolvimento social, econômico e proteção ambiental ao mesmo tempo, desde que as atividades respeitem as normas e os processos de regularização”, afirmou.
Ele citou dados de um estudo da Fiemg sobre o setor minerário em Minas.
“As mineradoras ocupam pouco mais de 7% das áreas das propriedades e preservam mais de 50% dessas áreas”, disse.
Outro ponto recorrente no Imersão Indústria foi o impacto da logística na competitividade. Para Thiago, problemas em rodovias, ferrovias e portos elevam o custo do transporte e acabam sendo repassados ao consumidor.