A redução da jornada de trabalho no modelo 6×1 pode gerar aumento expressivo de custos no agronegócio e impactar diretamente o preço dos alimentos. É o que aponta cartilha divulgada pelo Sistema Faemg Senar, que analisa os efeitos econômicos, jurídicos e produtivos das propostas em discussão no Congresso.
O documento indica que mudanças na carga horária, sem redução salarial, elevam automaticamente o custo da hora trabalhada e exigem reestruturação das atividades no campo, setor que depende de funcionamento contínuo e mão de obra em momentos críticos da produção.
Impacto direto: custo maior e efeito no consumidor
Segundo a cartilha, a redução da jornada pode aumentar o custo total da produção agropecuária em cerca de 3,14%, com elevação de até 9,6% no custo da hora de trabalho.
Na prática, esse aumento tende a ser repassado ao consumidor. Isso ocorre porque o setor opera com margens pressionadas e tem papel central na formação dos preços dos alimentos, que representam mais de 21% do orçamento das famílias brasileiras.
Cenário crítico: mais custo em um setor já pressionado
A cartilha também projeta impacto bilionário no setor. Dependendo do cenário, o aumento da massa salarial pode variar de R$ 1,3 bilhão a R$ 6 bilhões por ano em Minas Gerais.
Além disso, para manter o nível atual de produção, seria necessário criar entre 27 mil e 112 mil novos postos de trabalho formais, o que amplia ainda mais os custos operacionais.
Estrutura do campo dificulta redução uniforme
O documento destaca que o trabalho rural possui características próprias que dificultam a adoção de jornadas rígidas. Entre os fatores estão:
- ciclos biológicos de plantas e animais
- dependência do clima
- atividades contínuas, inclusive aos fins de semana
- alta perecibilidade da produção
Essas condições exigem flexibilidade na organização do trabalho, o que torna a aplicação uniforme da redução de jornada mais complexa no campo.
Falta de mão de obra agrava cenário
Outro ponto central é a escassez de trabalhadores no meio rural. Dados citados no material mostram que a população ocupada na agropecuária caiu cerca de 23% no Brasil entre 2012 e 2024.
Com menos trabalhadores disponíveis, a redução da jornada tende a aumentar a pressão sobre o setor, elevando custos e dificultando a manutenção da produção.
