Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no WhatsApp

Peça um Rock
Anuncie Aqui
  • Ao vivo
  • BH e região
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Imersão Indústria
  • Economia
  • Política
  • Colunistas
  • Dia Livre de Impostos – Lojista
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Ao vivo
  • BH e região
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Imersão Indústria
  • Economia
  • Política
  • Colunistas
  • Dia Livre de Impostos – Lojista
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Ao vivo
  • Ao vivo
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A direita cresce, Lula encolhe e o fiscal cobra a conta

Por

Paulo Leite

Paulo Leite
  • 27/04/2026
  • 10:38

Siga no

Lula
(Ricardo Stuckert / PR)

(Ricardo Stuckert / PR)

Compartilhar matéria

A eleição de outubro próximo começa a ganhar contornos mais nítidos. Ainda não é uma fotografia final, porque a eleição no Brasil tem alma de novela mexicana, muda o roteiro, troca o vilão, ressuscita personagem e, no último capítulo, alguém sempre aparece dizendo que foi mal interpretado. Mas a tendência já está posta sobre a mesa. A centro-direita e a direita chegam mais fortes, mais espalhadas pelo país e com maior musculatura política. Lula chega menor do que imaginava. E o governo chega carregando no colo uma bomba fiscal que não explode de uma vez, mas pinga ácido todos os dias sobre a economia, a confiança e o humor do eleitor.

O forte crescimento da direita

A direita deixou de ser apenas uma onda emocional. Virou estrutura. Tem governadores competitivos, bancadas robustas, prefeitos, vereadores, redes sociais, igrejas, empresários, lideranças locais e uma linguagem que conversa com parte importante da sociedade brasileira. A eleição municipal de 2024 já havia mostrado isso com clareza: centro e direita dominaram prefeituras, enquanto a esquerda ficou mais restrita a bolsões regionais. Nas últimas eleições os números trouxeram o centro com 52% das prefeituras, a direita subindo de 34% para 36%, e a esquerda caindo de 15% para 12%. 

Esse é o ponto central: eleição presidencial não se ganha apenas no palanque nacional. Ganha-se também na capilaridade municipal. Prefeito não transfere voto como quem transfere Pix, mas transfere ambiente. Organiza base, abre porta, empresta máquina política, dá sentido local à disputa nacional. E, nesse território miúdo, onde o eleitor conhece o prefeito, o vereador, o pastor, o comerciante e o líder comunitário, a centro-direita chega muito mais bem instalada que a esquerda.

Lula e a popularidade desidratada

O segundo dado é a baixa popularidade de Lula. O presidente ainda conserva uma base fiel, especialmente no Nordeste e entre setores beneficiados por políticas sociais. Não se deve subestimar Lula. Quem subestima Lula geralmente termina escrevendo autópsia antes do enterro. Mas também não se deve superestimá-lo como se fosse o Lula de 2006, surfando crescimento, crédito fácil, commodities em alta e um país com sensação de ascensão social. Esse Lula já não existe. O atual governa um país cansado, caro, endividado, desconfiado e menos disposto a comprar promessas embaladas em nostalgia.

A pesquisa Genial/Quaest de abril de 2026 mostrou que a desaprovação ao trabalho de Lula subiu de 49% para 52% desde janeiro, enquanto a aprovação caiu de 47% para 43%. O mesmo levantamento apontou que 48% dos eleitores veem notícias mais negativas sobre o governo, e 50% dizem sentir que a economia piorou no último ano. Mais grave: 72% afirmaram ter percebido aumento no preço dos alimentos no mês anterior, e 72% disseram ter dívidas.

Esse é o veneno eleitoral mais perigoso: a sensação de piora no bolso. O eleitor pode até não saber explicar o arcabouço fiscal, a meta primária, o déficit nominal ou a trajetória da dívida. Mas ele sabe o preço do arroz, da carne, do café, do remédio, da conta de luz, da escola, do aluguel e do supermercado. O povo não lê planilha do Tesouro Nacional no café da manhã. Lê a maquininha do cartão recusando a compra no fim do mês.

A importância do controle fiscal

E é aí que entra o terceiro elemento: o descontrole fiscal. O governo tenta vender a ideia de responsabilidade, mas a realidade das contas públicas é muito menos elegante que o discurso. Segundo o Ministério da Fazenda, o Governo Central registrou déficit primário de R$30,046 bilhões em fevereiro de 2026. No acumulado de 12 meses até fevereiro, o déficit foi de R$60,4 bilhões, equivalente a 0,45% do PIB.

O Ipea também apontou deterioração fiscal em 2025: o déficit primário do governo central passou de R$45,8 bilhões em 2024 para R$60,6 bilhões em 2025, subindo de 0,36% para 0,48% do PIB. Mesmo com crescimento real da receita, as despesas avançaram, puxadas por gastos obrigatórios, Previdência, benefícios assistenciais, pessoal e transferências constitucionais.

Traduzido do economês para o português de padaria. O governo arrecada mais, mas gasta mais ainda. A máquina pública tem apetite de leão e disciplina de adolescente em shopping center com cartão sem limite. O problema não é apenas gastar. O Estado existe para gastar com saúde, educação, segurança, infraestrutura e proteção social. O problema é gastar mal, gastar sem prioridade, gastar sem reforma, gastar empurrando a conta para o governo seguinte, ou para o eleitor, que paga em inflação, juros altos, crédito caro e crescimento medíocre.

O fiscal, no Brasil, sempre parece assunto de especialista até virar desemprego, juros, inflação e aperto. A dívida pública não bate à porta com crachá de economista. Ela entra pela janela da vida real. Quando o governo perde credibilidade, o mercado cobra juros maiores. Quando os juros sobem, empresas investem menos. Quando empresas investem menos, o emprego trava. Quando o emprego trava, a renda aperta. Quando a renda aperta, o eleitor se irrita. E quando o eleitor se irrita, a eleição muda de temperatura.

A direita entende melhor a realidade

A direita entendeu isso antes da esquerda. Seu discurso combina três elementos de fácil compreensão: crítica ao gasto público, defesa de segurança e reação ao que chama de excesso ideológico. Parte desse discurso é simplista, sem dúvida. Há muito candidato conservador que fala em cortar gastos como quem corta fita em inauguração, bonito para a foto, mas sem mostrar onde passa a tesoura. Ainda assim, a mensagem encontra um país cansado da sensação de que Brasília vive em banquete enquanto a população faz conta para comprar carne moída.

Lula, por sua vez, enfrenta uma armadilha clássica. Para recuperar a popularidade, tende a aumentar gastos, ampliar benefícios, segurar preços artificialmente, usar bancos públicos, mexer em crédito, tentar estimular consumo. Tudo isso pode produzir algum alívio eleitoral de curto prazo. Mas também pode aprofundar a desconfiança fiscal. É como tratar febre quebrando o termômetro. A temperatura continua lá, só fica mais difícil fingir que está tudo bem.

O PT quer abrir o leque de alianças

Não por acaso, o Partido dos Trabalhadores chega ao ciclo eleitoral discutindo alianças com setores da centro-direita, em meio a divergências internas sobre até onde deve ir essa aproximação. O último congresso petista, de abril de 2026, tinha como foco a eleição presidencial e divisões sobre alianças com a centro-direita. Isso revela uma contradição interessante. O PT combate a centro-direita no discurso, mas precisa dela na aritmética. Demoniza em público, negocia em privado. É a velha política de terno novo.

A direita também não vive a mil maravilhas

A direita também tem seus problemas. Não há unidade automática. Há bolsonaristas raiz, liberais pragmáticos, conservadores religiosos, governadores presidenciáveis, partidos fisiológicos, líderes regionais e vaidades do tamanho de um trio elétrico descendo a Avenida no carnaval. A centro-direita até ensaia crescer, mas crescimento sem coordenação vira condomínio em assembléia, todo mundo fala, ninguém decide, e no fim brigam pela vaga da garagem.

Mesmo assim, o ambiente favorece esse campo. A baixa popularidade de Lula reduz o poder de transferência do presidente. O fiscal fragiliza a narrativa econômica do governo. A direita e a centro-direita chegam com base territorial, redes sociais mobilizadas e discurso mais simples. A esquerda, por sua vez, parece excessivamente presa a uma linguagem de militância que conversa muito bem consigo mesma, mas nem sempre com o trabalhador endividado, com o pequeno empresário sufocado, com o jovem sem perspectiva e com a família que vê o supermercado virar uma espécie de prova de resistência.

Menos ideologia e mais comida na mesa

A eleição de outubro, portanto, tende a ser menos sobre amor ideológico e mais sobre fadiga. Fadiga com o custo de vida. Fadiga com imposto. Fadiga com insegurança. Fadiga com polarização. Fadiga com um Estado caro, pesado e nem sempre eficiente. A direita cresce porque capturou parte dessa fadiga. Lula cai porque a memória afetiva de seus governos anteriores já não basta para pagar a conta do presente. E o descontrole fiscal aparece como o grande personagem invisível da disputa: não pede voto, não dá entrevista, não sobe em palanque, mas influencia tudo.

A eleição não será vencida apenas com discurso de passado glorioso. O eleitor quer saber quem paga a conta, quem controla o gasto, quem melhora a renda, quem baixa a tensão e quem entrega alguma previsibilidade.

No fim, outubro pode ser decidido por uma pergunta cruel e simples: o Brasil quer continuar apostando na memória de Lula ou quer testar uma nova maioria de centro-direita? A resposta ainda está em aberto, mas uma coisa já parece clara. O país entrou na campanha com o bolso inquieto, a paciência curta e a calculadora na mão. E, quando a urna encontra a calculadora, a poesia do poder costuma virar contabilidade dura.

Compartilhar matéria

Gostou desta notícia?

→ Comece seus dias sempre atualizado com o que rola de relevante nos negócios, economia e tecnologia em Minas Gerais, no Brasil e no Mundo.

98 News

Siga no

Paulo Leite

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

A história do jogo de Campeonato Mineiro que Ronaldo Fenômeno nunca esqueceu

Cinco ‘podrões’ imperdíveis na Grande BH

Mais de Entretenimento

Mais de Colunistas

Como a dependência de diesel importado ameaça a economia brasileira

A lógica pavonesca de Gilmar Mendes, ou quando o poder abre o rabo em praça pública

O preço baixo, o dumping e a armadilha de desmontar a indústria em nome da promoção

Fake news sobre Irã agita mercados globais

Minas Gerais vira 2º maior produtor de ovos

Honestidade na gestão define confiança do investidor

Últimas notícias

Morre Wallace Guedes, Rei Momo de BH, aos 39 anos

Justiça garante redução de jornada sem corte de salário para mãe de criança com autismo em MG

Carrasco do Atlético, Arrascaeta manda recado após marcar em goleada do Flamengo na Arena MRV

Faemg Senar divulga cartilha e defende manutenção da jornada 6×1

Redução da escala 6×1 pode elevar custos e pressionar preço dos alimentos em MG, aponta Faemg Senar

BH tem vagas em curso gratuito para atendentes de farmácia; saiba como se inscrever

Bombeiros salvam bebê de 11 dias engasgado no Triângulo Mineiro

Dez linhas de ônibus de BH têm alteração no itinerário na Avenida Cristiano Machado

Metrô de BH terá intervalo maior entre as viagens nesta semana

  • Notícias
  • Auto
  • BH e Região
  • Brasil
  • Carreira
  • Meio Ambiente
  • Mercado
  • Minas Gerais
  • Mundo
  • Política
  • Tecnologia
  • Esportes
  • América
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Futebol em Minas
  • Futebol no Brasil
  • Futebol no Mundo
  • Mais Esportes
  • Seleção Brasileira
  • Entretenimento
  • Agenda
  • Cinema, TV e Séries
  • Famosos
  • Nas Redes
  • Humor
  • Música
  • Programas 98
  • No Fundo do Baú
  • Central 98
  • 98 Esportes - 1ª edição
  • 98 Dá O Play
  • 98 Futebol Clube
  • Graffite
  • Talks
  • 98 Esportes - 2ª edição
  • Jornada Esportiva
  • Os Players
  • Matula
  • Buteco
  • Redes Sociais 98
  • @rede98oficial
  • @rede98oficial
  • /rede98oficial
  • @98live
  • @98liveesportes
  • @98liveshow
  • @rede98oficial
  • Redes Sociais 98 News
  • @98newsoficial
  • @98newsoficial
  • /98newsoficial
  • @98newsoficial
  • /98-news-oficial

Baixe Nosso Aplicativo

Siga a Rede 98 no

  • Ao Vivo na 98
  • Contato
  • Anuncie na 98
  • Termos de Uso e Política de Privacidade

Rede 98 © 2021-2025 • Todos os direitos reservados

Avenida Nossa Senhora do Carmo, 99, Sion - 30.330-000 - Belo Horizonte/MG

  • Ao vivo
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Notícias
  • BH e região
  • Brasil
  • Economia
  • Imersão Indústria
  • Custo Brasil
  • Meio Ambiente
  • Mercado Automotivo
  • Mundo
  • Política
  • Saúde
  • Tecnologia
  • Esportes
  • América
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Futebol no Mundo
  • Mais Esportes
  • Olimpíadas
  • Seleção Brasileira
  • Entretenimento
  • Agenda
  • Famosos
  • Gastronomia
  • Humor
  • Música
  • Redes