Moradores e testemunhas relatam momentos de pânico após a queda de um avião de pequeno porte que atingiu um prédio residencial no bairro Silveira, na região Nordeste de Belo Horizonte, na tarde desta segunda-feira (4/5). O impacto, registrado por volta das 12h25 na rua Ilacir Pereira Lima, mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e da Polícia Militar.
Quem estava nas proximidades descreve uma cena repentina e caótica. A vendedora Magda Madureira, que presenciou a queda, conta que o barulho foi o primeiro sinal da tragédia. “A gente só escutou o barulho. É tão rápido que não dá para assimilar. A situação foi caótica. Teve a explosão do impacto, mas não teve fogo”, disse.
Dentro do prédio atingido, moradores foram surpreendidos pelo estrondo. A dona de casa Avani Soares relembra o momento de susto. “De repente eu ouvi um barulho muito alto, escureceu tudo. Na hora achei que era o fim do mundo”, afirmou. Ao perceber o que havia acontecido, ela tentou ajudar vizinhos, principalmente uma idosa. “Fui direto ver a Bete, porque ela é idosa e às vezes está sozinha.”
Segundo Avanir, o cenário rapidamente se transformou em desespero. “As pessoas estavam gritando, pedindo socorro, falando que tinha gente ferida.” Com medo de explosão devido ao vazamento de combustível, ela deixou o prédio às pressas. “Pensei que podia explodir ou comprometer a estrutura. Saí sem pegar nem meus documentos.”
A moradora Natália Bicalho não estava no local no momento do acidente, mas relata angústia ao receber a notícia. “Eu estava trabalhando quando uma amiga me ligou. Depois, várias pessoas começaram a entrar em contato para saber se eu estava em casa, porque moro sozinha.”
Ao ver imagens do prédio, ela percebeu a dimensão dos danos. “Vi um buraco na parede e estragos nas janelas. Isso pode impedir o acesso pelas escadas, que são a única forma de chegar aos apartamentos.” Natália mora no segundo andar, enquanto a área mais atingida foi o terceiro.
A preocupação, segundo ela, é com os demais moradores. “É um prédio com muitos idosos e algumas crianças, inclusive bebês. Quero saber se todo mundo está bem.” Ela também contou que uma vizinha teria ficado presa no terceiro andar sem conseguir descer após o impacto.
Apesar do susto, Natália considera que escapou de algo mais grave. “Eu trabalho em casa alguns dias, mas hoje estava presencialmente. Foi um livramento.”
Tales Moreira de Carvalho também mora no prédio e diz que estava no banheiro quando escutou o estrondo. Ele e os demais moradores precisaram ser retirados do local.
“Eu tomo remédio controlado e preciso buscar os meus medicamentos, mas não estão permitindo o acesso por risco à saúde. Não sei o que fazer. Não consegui pegar nada, porque não imaginava que isso tudo fosse acontecer”, lamentou.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, a aeronave transportava cinco pessoas, e ao menos duas mortes foram confirmadas até o início da tarde. O avião ficou parcialmente preso à estrutura da garagem do prédio, e o quarteirão foi isolado por risco de explosão devido ao vazamento de combustível.
A Defesa Civil foi acionada para avaliar possíveis danos estruturais no edifício. As causas do acidente ainda serão investigadas.
