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Estudo do LePar/UFF aponta que 81% dos eleitores brasileiros exigem candidato que acredite em Deus

Por Gustavo Macedo Rede 98
20/08/2026 12:05 Atualizado há 2 horas
Levantamento do LePar/UFF divulgado pela Agência Brasil aponta que 81% dos eleitores exigem candidatos que creiam em Deus. (Foto: Gerada por IA)
Levantamento do LePar/UFF divulgado pela Agência Brasil aponta que 81% dos eleitores exigem candidatos que creiam em Deus. (Foto: Gerada por IA)

Um levantamento inédito do Laboratório de Estudos Sócio Antropológicos em Política, Arte e Religião (LePar), da Universidade Federal Fluminense (UFF), revela que oito em cada dez eleitores brasileiros (81%) afirmam ser fundamental que seus candidatos e candidatas nas eleições acreditem em Deus.

Essa percepção é mais aguçada entre as classes mais pobres, atingindo 89% das pessoas cujos rendimentos não passam de um salário mínimo. Em contrapartida, o índice cai para 57% entre os eleitores mais ricos, que ganham de 10 a 20 salários mínimos mensais.

A análise mostra a forte presença da figura do Deus cristão, sobretudo nos estratos mais baixos de renda, onde 74% das pessoas ouvidas concordam que Deus faz as pessoas serem melhores. Essa taxa sobe para 86% entre os que ganham até um salário mínimo. Além disso, 82% defendem que as escolas devem ensinar crianças e adolescentes a acreditar em Deus.

Os pesquisadores apresentaram os dados do LePar nesta quarta-feira (19) na abertura do 1º Congresso Internacional e Multidisciplinar sobre Sociedade: religião, política e valores, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Análise de especialistas sobre fé e laicidade

Segundo publicação da Agência Brasil, a socióloga Christina Vital, do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFF, destacou que a forte valorização da crença em Deus não se reflete diretamente na credibilidade das instituições religiosas tradicionais que organizam a rotina dos fiéis.

“Curiosamente, essa valorização significativa de Deus não se traduz em mais confiança nas instituições religiosas, sobretudo igrejas, que costuram o cotidiano religioso”, afirmou a socióloga.

Christina Vital ainda complementou a análise abordando o impacto dessa visão na compreensão sobre o papel do Estado, ressaltando que 54% dos entrevistados se posicionam de forma contrária ao Estado laico devido a dúvidas conceituais.

“Existe confusão sobre o que é laicidade. Quando perguntadas sobre isso, ouvimos muitas coisas diferentes e que não se relacionam com a separação entre religião e Estado”, avaliou a pesquisadora.

Instrumentalização política e o debate eleitoral

Ainda de acordo com a Agência Brasil, o pesquisador Michel Gherman, que lidera o Observatório das Crises das Democracias das Américas (UNLP) da UFRJ, analisou como setores da direita souberam se apropriar do sentimento religioso para avançar suas pautas políticas.

“Isso significa dizer que não foi a ascensão desse cristianismo protestante no Brasil que fortaleceu a extrema-direita, mas, antes, foi ela quem conseguiu instrumentalizar alguns valores dessa percepção religiosa do mundo para o seu ‘projeto de passado’”, apontou Gherman.

Em suma, o levantamento demonstra que a afinidade religiosa opera como um elemento central de identificação no cenário político nacional. A tendência observada pelos pesquisadores é de que o eleitorado busque representantes que expressem visões de mundo e valores morais semelhantes aos seus.

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Gustavo Macedo
Gustavo Macedo
Jornalista graduado pela PUC Minas em atividade na Rede 98 desde 2023