O candidato ao governo de Minas Túlio Lopes (PCB) defendeu o fortalecimento da rede pública de saúde, a criação de uma tarifa única no transporte metropolitano, passe livre para estudantes e a retomada dos trens de passageiros na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Durante encontro da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel), nesta quinta-feira (20/8), o professor também criticou a privatização da Copasa, defendeu maior controle público sobre a Cemig e propôs um planejamento urbano integrado, com construção de moradias populares próximas aos sistemas de transporte. Túlio ainda se posicionou contra o atual traçado do Rodoanel Metropolitano.
As propostas foram apresentadas diante de representantes dos municípios durante sabatina organizada pela Granbel, na sede da CDL-BH, em Belo Horizonte. Cada candidato respondeu a cinco questões sobre a Região Metropolitana antes de fazer as considerações finais.
Fortalecimento da saúde pública
Questionado sobre a superlotação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e as filas na saúde, Túlio defendeu o fortalecimento da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e a descentralização dos serviços do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg).
Segundo o candidato, ampliar o atendimento do Ipsemg no interior ajudaria a reduzir a concentração da demanda em Belo Horizonte e na Região Metropolitana.
Túlio também colocou a valorização dos profissionais da saúde entre as prioridades. O candidato afirmou que tem mantido diálogo com entidades representativas dos servidores e defendeu o atendimento às reivindicações da categoria como forma de melhorar a qualidade do serviço público.
Outro ponto apresentado foi a conclusão e o funcionamento dos hospitais regionais. Túlio citou obras que permaneceram paralisadas durante anos e afirmou que a ausência dessas estruturas em outras regiões aumenta a procura por atendimento na Grande BH.
O candidato também defendeu ações preventivas, com incentivo ao esporte, campanhas educativas e acompanhamento da saúde desde a infância.
“Nós temos que fortalecer a saúde para que ela não tenha a tendência de virar uma mercadoria”, afirmou.
Tarifa única, passe livre e trens de passageiros
Na mobilidade, Túlio defendeu maior presença do poder público na operação e no planejamento do transporte coletivo. O candidato criticou a extinção da BHTrans e defendeu uma estrutura pública para o transporte coletivo, com participação do Estado e das prefeituras.
Entre as propostas apresentadas estão a criação de uma tarifa única para deslocamentos metropolitanos e a implantação do passe livre para estudantes.
“A tarifa única é uma necessidade. Não faz sentido ter diversas tarifas para diversos trajetos”, disse.
Segundo Túlio, o custo do transporte dificulta o acesso de jovens à educação, cultura, esporte e lazer e pode contribuir para a evasão escolar.
O candidato também defendeu a retomada dos trens de passageiros como alternativa para os deslocamentos entre os municípios. Ele afirmou que Minas não deve concentrar os investimentos no modal rodoviário.
Túlio criticou o atual traçado do Rodoanel Metropolitano e defendeu consultas às comunidades quilombolas afetadas pelo projeto, além da preservação de áreas ambientais.
Túlio critica privatização da Copasa
Ao tratar dos serviços de água e energia, Túlio criticou a privatização da Copasa e afirmou que o processo deveria ter sido submetido à consulta popular.
Para o candidato, utilizar a companhia dentro das negociações relacionadas à dívida de Minas foi um equívoco. Túlio argumentou que privatizações anteriores não solucionaram os problemas fiscais do Estado.
“Água e energia não são mercadorias, são fontes da vida”, afirmou.
Túlio também criticou o modelo de gestão da Cemig. Segundo ele, a companhia não deve priorizar os interesses dos acionistas em detrimento das necessidades da população.
O candidato defendeu o fortalecimento das empresas públicas e maior participação popular na definição das políticas das companhias.
Planejamento urbano e moradias populares
Na discussão sobre planejamento urbano, Túlio defendeu uma atuação metropolitana de curto, médio e longo prazo e colocou a construção de moradias populares entre as prioridades.
Segundo o candidato, a política habitacional deve estar articulada ao transporte coletivo. Túlio defendeu a construção de moradias próximas aos corredores e sistemas de transporte de passageiros.
O candidato também propôs ampliar a participação de universidades e instituições de pesquisa na elaboração das políticas públicas. Ele citou a Fundação João Pinheiro, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) como instituições capazes de contribuir com o planejamento da Região Metropolitana.
Túlio defendeu ainda a ampliação da estrutura da Uemg e criticou a falta de investimentos na instituição.
Para o candidato, o planejamento metropolitano deve priorizar as demandas da população e buscar reduzir as desigualdades entre os municípios.
Participação popular e situação de rua
Nas considerações finais, Túlio defendeu a criação de mecanismos de participação popular na formulação das políticas estaduais.
O candidato propôs conselhos populares com participação de especialistas, representantes sindicais, movimentos sociais e outros setores para discutir economia, planejamento urbano e desenvolvimento de Minas Gerais.
Túlio também citou a população em situação de rua e defendeu maior diálogo com assistentes sociais que atuam diretamente com esse público.
O candidato relacionou desigualdade social e violência urbana e afirmou que políticas públicas devem enfrentar as causas sociais desses problemas.
Túlio ainda defendeu a redução da jornada de trabalho sem redução salarial para servidores públicos municipais e a valorização das categorias como parte da melhoria dos serviços prestados à população.