O escritor e ex-candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante), que terminou o primeiro turno das eleições com 2,89% dos votos válidos, reconheceu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pediu que o petista governe “sem revanchismo e sem sentimento de vingança”. Em carta aberta aos brasileiros, divulgada após o segundo turno deste domingo (25/10), Cury criticou a permanência de Lula no poder por um quarto mandato, mas afirmou respeitar o resultado das urnas.
“A sociedade brasileira precisa estar acima do nome de uma pessoa, de uma família, de um partido ou de uma ideologia”, declarou.
O ex-presidenciável afirmou considerar que um quarto mandato dificulta a renovação de ideias, projetos e equipes. Apesar da crítica, cumprimentou Lula pela vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e defendeu que o presidente represente eleitores de diferentes posições políticas.
“Considero que um quarto mandato dificulta a renovação das ideias, projetos, equipes e motivações, mas respeito o resultado e quero cumprimentá-lo”, afirmou.
Cury também pediu que o governo não se limite aos eleitores da esquerda e inclua as demandas de quem votou na direita.
Apelo por pacificação
Na carta, Augusto Cury defendeu a redução da polarização política e afirmou que as necessidades da população devem estar acima das divergências partidárias.
O escritor citou a violência contra mulheres, as dificuldades enfrentadas por professores e os problemas na formação profissional dos jovens como exemplos de questões que exigem respostas do poder público.
“As dores humanas, como disse ao longo de toda a campanha, não têm cor partidária, nunca tiveram, são suprapartidárias”, declarou.
Ele também pediu respeito às instituições democráticas diante de eventuais questionamentos sobre o resultado eleitoral.
Segundo Cury, quem discordar de decisões relacionadas ao processo de votação deve recorrer aos instrumentos jurídicos previstos na Constituição, sem incentivar confrontos ou desrespeitar as regras democráticas.
“A democracia é assim. Você respeita as urnas e questiona juridicamente com todas as forças, mas dentro de todos os ditames, de todas as linhas da Constituição brasileira”, afirmou.
Críticas à economia e pedido de responsabilidade fiscal
Augusto Cury também dedicou parte da manifestação à situação econômica do país. O ex-candidato defendeu responsabilidade fiscal, redução dos juros e ampliação do acesso ao crédito para famílias e empresas.
Na avaliação dele, o endividamento compromete a capacidade de consumo e investimento da população, além de provocar consequências para a saúde mental.
Cury propôs o financiamento de mais de 10 milhões de microempresas como alternativa para ampliar oportunidades de trabalho, especialmente diante das mudanças provocadas pela inteligência artificial e pela robótica.
O escritor também sugeriu que Lula reúna economistas de diferentes trajetórias para discutir o desenvolvimento nacional. Entre os nomes mencionados estão Mansueto Almeida, Fábio Barbosa, Armínio Fraga e Rafael Fonteles.
Para o ex-presidenciável, uma política econômica voltada à estabilidade fiscal e à redução dos juros poderia beneficiar a indústria, o comércio, a agricultura e as famílias brasileiras.
Educação e futuro dos jovens
A educação também foi destacada na carta. Cury defendeu a valorização dos professores, a ampliação do ensino técnico e mudanças na formação dos estudantes para acompanhar as transformações tecnológicas.
Ele afirmou que o próximo governo precisa investir em políticas capazes de preparar os jovens para o mercado de trabalho e enfrentar problemas sociais que, segundo ele, ultrapassam as divisões ideológicas.
Ao encerrar a manifestação, o escritor voltou a defender a pacificação nacional e pediu que o presidente priorize os interesses da população.
“O Brasil precisa de estadistas, e estadistas são pessoas que pensam não apenas no seu legado pessoal, familiar ou de seu partido, mas no legado da sociedade brasileira”, afirmou.