O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), afirmou nesta segunda-feira (26/10) que nem mesmo a equipe responsável pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu prever a dimensão da vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições presidenciais. Integrante da coordenação da campanha, Fonteles disse que os cálculos internos indicavam uma virada, mas não anteciparam os 51,8% dos votos válidos conquistados pelo petista.
Em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, o governador afirmou que a equipe técnica da campanha foi a que mais se aproximou do resultado, embora também tenha subestimado a votação do presidente.
“Ninguém previu isso. Ninguém, ninguém previu isso. Quem mais se aproximou foram os nossos próprios técnicos, que a gente apelidou aqui de Data Rafael, mas nem nós conseguimos chegar ao valor de 51,8% dos votos válidos”, declarou.
Lula foi reeleito para um quarto mandato com vantagem de aproximadamente 4,43 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro. O resultado contrariou a maioria das pesquisas divulgadas na reta final da campanha, que apontavam o senador à frente.
Redes sociais e mobilização nas ruas
Fonteles atribuiu parte da recuperação eleitoral de Lula à mudança na estratégia de comunicação durante o segundo turno. Segundo ele, o presidente ampliou a presença nas redes sociais, enquanto apoiadores intensificaram a mobilização nas ruas.
“Ele passou a usar mais enfaticamente, mais frequentemente as redes sociais e também as ruas se levantaram mais, os jovens, a população em geral. E uma coisa alimenta a outra. As redes sociais alimentam as ruas, as ruas alimentam as redes”, afirmou.
O governador também destacou a atuação do deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pela mobilização digital conhecida como “Exército do Lula”.
Na avaliação de Fonteles, a iniciativa contribuiu para ampliar o alcance da campanha e acelerar o engajamento dos apoiadores.
O petista defendeu que a estratégia de comunicação seja mantida durante o próximo mandato presidencial.
“Se isso foi importante para a eleição, isso tem que ser importante também para o governo”, disse.
Reação negativa do mercado
Questionado sobre a queda da Bolsa de Valores e a disparada do dólar após a reeleição de Lula, Fonteles afirmou que a movimentação refletiu a expectativa dos investidores de uma vitória de Flávio Bolsonaro.
Segundo o governador, o mercado financeiro havia considerado um cenário eleitoral diferente daquele confirmado pelas urnas.
“Eu vejo com muita naturalidade esse movimento intenso nos mercados hoje, porque os mercados estavam precificando um resultado eleitoral, dado que praticamente todas as pesquisas, tirando o Instituto Vox, davam a vitória para o outro candidato”, declarou.
Fonteles nega conversa sobre Ministério da Fazenda
O governador também negou ter discutido com Lula a possibilidade de assumir um ministério no próximo mandato, incluindo a Fazenda.
Fonteles afirmou que não houve conversas sobre cargos no governo federal, nem antes nem depois do segundo turno.
“Eu nunca tratei com o presidente da República sobre qualquer cargo, um eventual mandato dele, isso antes da eleição ou depois da eleição”, disse.
Reeleito para o governo do Piauí, Fonteles afirmou que pretende continuar à frente da administração estadual.
“Eu ainda espero ser diplomado muito em breve pela Justiça Eleitoral do meu estado, como governador reeleito, tomar posse para cuidar do povo do Piauí”, afirmou.
Apesar de descartar uma mudança para Brasília neste momento, o governador disse que continuará contribuindo com o governo federal durante o quarto mandato de Lula.