A candidata ao Senado Áurea Carolina (PSOL) lançou oficialmente a campanha neste domingo (23/8), em Belo Horizonte, ao lado do candidato ao governo de Minas Patrus Ananias (PT), do candidado a vice-governador, Jarbas Soares (PSB) e da também candidata ao Senado Marília Campos (PT). Em discurso, Áurea colocou o combate à violência contra as mulheres entre as prioridades de uma eventual atuação no Congresso e afirmou que pretende trabalhar para “erradicar” o feminicídio no país. A candidata também defendeu o fim da escala 6×1, políticas para a cultura e disse que pretende atuar para impedir o avanço da direita no Senado.
O evento reuniu integrantes dos partidos que compõem a aliança em torno da candidatura de Patrus, além de candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Durante o lançamento, Áurea e Marília reforçaram a estratégia de apresentarem as duas candidaturas ao Senado de forma conjunta durante a campanha.
“Nós afirmamos que é possível eleger duas mulheres progressistas para representar Minas Gerais no Senado. Foi lindo ter Marília Campos aqui com a gente. O Patrus, que é o nosso candidato a governo, junto com Jarbas, vice-governador. A gente acredita muito nessa chapa”, afirmou Áurea após o evento.
‘A palavra é erradicar’
Em um dos principais momentos do discurso, Áurea colocou o enfrentamento ao feminicídio como uma das bandeiras que pretende levar ao Senado.
“Nós vamos entrar no Senado, Marília, para erradicar feminicídio. Erradicar. A palavra é erradicar. Acabar. Acabar com o feminicídio. Não é ‘nós vamos lutar para reduzir’, não. Nós vamos acabar com isso”, declarou.
A candidata defendeu ampliar a rede de atendimento e proteção às mulheres e criticou a atual estrutura disponível em Minas. Segundo Áurea, é necessário aproximar os serviços das vítimas e ampliar também mecanismos de responsabilização dos agressores.
Áurea ainda defendeu que o enfrentamento à violência contra as mulheres passe pela educação desde a infância.
“Nós vamos barrar isso com lei nas escolas desde criança. Nós vamos trabalhar para que os serviços estejam perto das mulheres”, afirmou.
A candidata também relacionou a decisão de voltar a disputar um cargo eletivo ao cenário político nacional. Depois de exercer mandato como deputada federal entre 2019 e 2023 e não buscar a reeleição, Áurea afirmou que decidiu concorrer ao Senado para apoiar Lula e enfrentar a direita na Casa.
“Eu quero ajudar o Lula a governar e eu quero barrar a extrema direita no Senado”, disse.
Áurea defende fim da escala 6×1
Outra bandeira apresentada durante o lançamento foi o fim da escala de trabalho 6×1. Áurea afirmou que a jornada atual afeta principalmente trabalhadores mais jovens e defendeu levar a discussão para o Senado.
“Vamos lutar pelo fim da escala 6 por 1. […] O nosso povo está massacrado, o nosso povo está adoecido. Nosso povo trabalha sem parar e a renda não corresponde, as contas não fecham no final do mês”, declarou.
Áurea citou ainda sua trajetória ligada ao movimento hip-hop e colocou a cultura entre as prioridades da candidatura. A ex-deputada destacou a participação na elaboração do Marco Regulatório do Fomento à Cultura e defendeu políticas que ampliem o acesso de artistas e produtores aos recursos públicos.
Segundo a candidata, a cultura deve ser tratada também como instrumento de geração de renda, desenvolvimento e cidadania.
Patrus aposta na eleição de Áurea e Marília
Presente no lançamento, Patrus Ananias afirmou que a eleição das duas candidatas ao Senado é considerada estratégica para a composição política que apoia sua candidatura ao governo de Minas e a reeleição do presidente Lula (PT).
“Considero muito importante. Nós temos duas mulheres candidatas, a Marília e a Áurea Carolina. As nossas campanhas estão crescendo e nós estamos muito empenhados em ganharmos o governo de Minas e também termos um apoio efetivo no Congresso Nacional com as nossas duas candidatas ao Senado”, afirmou.
Patrus também defendeu que a coligação amplie a representação na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Segundo ele, a intenção é formar bancadas que deem sustentação aos projetos do grupo tanto no governo federal quanto em uma eventual gestão estadual.
Dobradinha com Marília
Marília Campos defendeu durante o evento a eleição das duas candidatas e afirmou que as campanhas deverão trabalhar conjuntamente, apesar de também cumprirem compromissos separados pelo estado.
“Nós precisamos de mais mulheres de luta na política. E Áurea, que já foi deputada federal, militante do movimento hip-hop, uma pessoa muito reconhecida em Minas Gerais, só aumenta o nosso orgulho”, afirmou.
Marília ressaltou que Minas elegeu apenas uma mulher para o Senado ao longo de sua história e defendeu maior representação feminina no Congresso.
“Em 202 anos de Senado, Minas Gerais elegeu apenas uma mulher e nós somos 50% da população. Acredito que a democracia se fortalece se nós tivermos uma representação mais robusta de mulheres”, disse.
Sobre a estratégia eleitoral, Marília afirmou que as duas não necessariamente estarão juntas em todas as agendas.
“A gente tem que se dividir para esse estado todo, que é muito grande, mas em alguns momentos estaremos juntas. Onde eu estiver, farei campanha da Áurea e, onde ela estiver, certamente ela fará a minha campanha também”, afirmou.
Campanha terá viagens pelo interior
Áurea afirmou que a Região Metropolitana de Belo Horizonte será uma das prioridades da campanha, mas antecipou que também percorrerá outras partes de Minas nas próximas semanas.
“A gente vai priorizar a Região Metropolitana, mas a gente tem, sim, algumas viagens para o interior de Minas. Eu vou voltar ao Sul de Minas, vou voltar à Zona da Mata e vou ao Triângulo Mineiro também”, disse.
A candidata citou ainda Divinópolis e Sete Lagoas entre os municípios que pretende visitar. Segundo Áurea, a estratégia será ampliar o conhecimento da candidatura mesmo em regiões onde o grupo político tenha menor presença.
“Mesmo sendo poucas pessoas em alguns lugares, a gente vai levar essa palavra adiante, inspirar, encantar as pessoas e fazer o time do Lula vencer em Minas Gerais”, afirmou.