A Câmara dos Deputados terá 135 parlamentares autodeclarados pretos ou pardos e três indígenas na legislatura que começa em fevereiro de 2027. Os dois grupos tiveram redução na representação em relação às eleições de 2022. Entre pretos e pardos, o número caiu de 139 para 135 eleitos, queda de 2,9%. Já a bancada indígena passará de cinco para três integrantes.
Os 135 deputados pretos ou pardos representarão 26,3% das 513 cadeiras da Câmara. Do total, 77 foram reeleitos, o equivalente a 57%. Outros 58 assumirão pela primeira vez ou retornarão à Casa depois de um período fora do Parlamento.
Os dados consideram a autodeclaração de cor ou raça registrada pelos próprios candidatos na Justiça Eleitoral.
A redução ocorre mesmo com quase metade das candidaturas registradas nas eleições deste ano formada por pessoas pretas ou pardas. Foram 10.206 candidatos desse grupo considerando todos os cargos, equivalente a 49,64% do total.
União e PP têm maior número de eleitos
A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, elegeu 32 deputados federais autodeclarados pretos ou pardos. O número corresponde a 23,7% dos 135 parlamentares negros eleitos.
A representação está distribuída entre diferentes partidos. Na composição geral da Câmara, o PL terá 121 deputados. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, contará com 88, enquanto a União Progressista terá 87.
Em São Paulo, sete dos 70 deputados federais eleitos se declararam pretos ou pardos. Em 2022, foram dez.
Entre os eleitos está Erika Hilton (PSOL), autodeclarada preta, que recebeu 1.596.472 votos. Também se declararam pardos Marcos Pereira (Republicanos), Sidney Cruz (MDB), Ney Santos (Republicanos), Altair Moraes (Republicanos), Maria Rosas (Republicanos) e Milton Leite Filho (União Brasil).
Bancada indígena cai de cinco para três deputados
A representação indígena também será menor na próxima legislatura. Três deputados federais eleitos se autodeclararam indígenas: Paulo Guedes (PT-MG), Juliana Cardoso (PT-SP) e Sônia Guajajara (PSOL-SP). Todos foram reeleitos.
Com três representantes entre as 513 cadeiras, o grupo corresponderá a cerca de 0,6% da Câmara.
Em 2022, cinco parlamentares indígenas foram eleitos: Célia Xakriabá (PSOL-MG), Juliana Cardoso, Paulo Guedes, Silvia Waiãpi (PL-AP) e Sônia Guajajara. Célia Xakriabá e Silvia Waiãpi não conseguiram novo mandato em 2026.
Por Minas Gerais, Paulo Guedes recebeu 126.891 votos. Em São Paulo, Juliana Cardoso conquistou 111.904 votos e Sônia Guajajara, 54.207.
Mais candidaturas, menos indígenas eleitos
A redução ocorreu apesar do aumento das candidaturas indígenas para deputado federal. Foram 73 registros em 2026, contra 59 nas eleições de 2022.
Apesar do crescimento no número de candidatos, apenas três conquistaram uma das 513 cadeiras.
Os dados raciais utilizados consideram as informações fornecidas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral. No recorte de população negra, são somados os candidatos que se autodeclararam pretos ou pardos.
Os deputados eleitos em outubro assumem os mandatos em 1º de fevereiro de 2027.