O Carter Center, organização sem fins lucrativos sediada em Atlanta, que atua em observação eleitoral desde 1989, afirmou que as eleições presidenciais de 2026 no Brasil foram conduzidas de forma legal e transparente, destacando a atuação profissional da Justiça Eleitoral. Em avaliação divulgada nessa terça-feira (27/10), a missão de especialistas da organização elogiou a administração do segundo turno, realizado no domingo (25/10), e ressaltou o compromisso do país com a democracia.
Segundo o documento, a eleição foi organizada por servidores eleitorais qualificados e contou com oportunidades de fiscalização por partidos políticos e eleitores. A apuração dos votos de mais de 499 mil seções eleitorais ocorreu rapidamente, e os resultados foram divulgados poucas horas após o encerramento da votação.
O Carter Center também destacou que as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) haviam manifestado confiança nos sistemas eleitorais antes da votação e se comprometido publicamente a aceitar os resultados.
A entidade lembrou, porém, que “houve diversas decisões inconsistentes e/ou contraditórias sobre aspectos relacionados à eleição por parte do TSE, do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outras instâncias judiciais” e citou como exemplo emblemático a “controversa prorrogação de duas horas no horário de votação, determinada após o encerramento da votação”.
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
“O Carter Center, juntamente com observadores nacionais e observadores internacionais independentes, testemunhou a conclusão bem-sucedida da eleição presidencial de 2026 e o contínuo compromisso do Brasil com a democracia”, afirmou Jennie Lincoln, chefe da missão e assessora sênior da organização para a América Latina e o Caribe.
Eleições de 2022
A organização também enviou uma missão de especialistas ao Brasil nas eleições presidenciais de 2022, quando Lula venceu Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, o grupo analisou a transparência do sistema eletrônico, os procedimentos de auditoria e a desinformação relacionada às urnas.
Fundado em 1982 pelo ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, o Carter Center atua internacionalmente em iniciativas relacionadas à democracia, aos direitos humanos, à resolução de conflitos e à saúde pública.