A direção nacional do Novo interveio em uma crise envolvendo a candidatura de Marco Antônio “Superman” ao Senado por Minas Gerais. Segundo fontes do partido ouvidas pela Rede 98, dirigentes estaduais discutiram uma movimentação que poderia inviabilizar a candidatura na reta final da campanha, mas a iniciativa foi barrada após chegar ao conhecimento da Executiva Nacional.
O problema se tornou público nesta semana, quando Superman publicou um vídeo nas redes sociais e acusou o vice-presidente estadual do Novo, Frederico Papatella, de ameaçar “derrubar” a chapa. Papatella nega ter feito qualquer ligação ou ameaça ao candidato.
Nos bastidores, porém, pessoas ligadas ao partido afirmam que houve, de fato, uma movimentação interna em torno da candidatura. O pano de fundo seria um desconforto acumulado desde a definição de Superman para a disputa ao Senado e ampliado durante a campanha, principalmente pela aproximação do candidato com outros nomes da direita, como Nikolas Ferreira (PL) e Cleitinho Azevedo (Republicanos).
De acordo com essas fontes, Mateus Simões (PSD), demonstrou insatisfação com a presença de Superman em outros palanques e tratou do assunto com o presidente estadual do Novo, Christopher Laguna. A partir daí, teria ocorrido uma tentativa de intervenção na chapa de Superman. A direção nacional tomou conhecimento da movimentação e agiu para impedir que ela avançasse.
Desconforto começou antes da campanha
Segundo relatos feitos à Rede 98, a candidatura de Superman ao Senado já provocava divergências internas antes do início oficial da campanha. Uma ala do Novo defendia que ele disputasse uma cadeira de deputado federal, enquanto Superman pretendia concorrer a um cargo majoritário.
A vaga ao Senado acabou sendo destinada a ele em meio às articulações para a formação da chapa em Minas. Segundo as fontes, a escolha também ocorreu para evitar que o espaço fosse incorporado à coligação encabeçada por Mateus e ocupado por Marcelo Aro (PP). Aro acabou lançando uma candidatura avulsa ao Senado pelo Progressistas.
Superman apresenta outra versão para o episódio. No vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que sua candidatura foi ignorada pela direção estadual durante a pré-campanha e que somente em 6 de agosto teve certeza de que poderia disputar a eleição.
“Foi por uma questão de conveniência partidária, uma espécie de prêmio de consolação que a vaga foi aberta de maneira independente aqui no estado de Minas Gerais, porque os dirigentes haviam perdido o vice-governo da chapa do Mateus Simões, que é do PSD”, afirmou.
Ele também disse que o partido destinou R$ 30 mil à campanha dele e alegou que ganhou força eleitoral a partir do apoio de Nikolas Ferreira e de outros candidatos de partidos de direita.
Outros palanques ampliaram atrito
Com o avanço da campanha, segundo as fontes ouvidas pela Rede 98, novas divergências surgiram sobre a estratégia de Superman. Internamente, passou a haver questionamentos sobre a participação do candidato em agendas ao lado de Nikolas e, principalmente, sobre a aproximação com Cleitinho.
O incômodo estaria relacionado ao fato de Superman disputar o Senado pelo Novo enquanto aparecia em palanques de um adversário de Mateus Simões na corrida pelo governo de Minas.
Foi nesse contexto, de acordo com as fontes, que Mateus procurou Laguna para tratar da situação. A movimentação subsequente chegou à direção nacional do Novo, que interveio e impediu uma ação que poderia comprometer a continuidade da candidatura de Superman.
As fontes também apontam que o episódio ocorre em um ambiente de divergências entre integrantes da Executiva Nacional e Laguna, especialmente após a saída de Mateus do Novo.
Superman acusa vice-presidente de ameaça
No vídeo, Superman direcionou a acusação principalmente a Frederico Papatella, vice-presidente estadual da legenda.
“O vice-presidente do diretório do Novo aqui em Minas, do meu próprio partido, me ligou ameaçando derrubar minha chapa. Foram pedidos aos meus candidatos que renunciassem para inviabilizar a minha candidatura ao Senado há 20 dias da eleição”, declarou.
Superman afirmou ainda que dirigentes estaduais estariam tentando desgastar a imagem dele durante a campanha.
Papatella negou à Rede 98 ter telefonado ou ameaçado o candidato. Segundo o dirigente, toda a comunicação direta que manteve com Superman ocorreu em um grupo de WhatsApp criado após a formalização da candidatura.
“Eu nunca liguei para ele”, afirmou.
De acordo com Papatella, antes da candidatura ser formalizada, houve uma reunião com dirigentes do Novo, integrantes da equipe de Superman, o próprio candidato e a namorada dele. O vice-presidente afirma que ficou acertado que Superman apoiaria candidatos do Novo, além da reeleição de Mateus, já que o partido integra a coligação.
Papatella disse ainda que está disposto a tornar público o conteúdo integral das conversas mantidas no grupo.
“Ele tem toda a liberdade de compartilhar 100% do que foi discutido, falado no grupo, sem filtro algum. Vamos ver quem está mentindo nesta situação”, afirmou.
Direção nacional entra na disputa
Apesar da negativa de Papatella sobre a ligação relatada por Superman, as fontes ouvidas pela Rede 98 sustentam que houve uma tentativa interna de interferência na candidatura e que a direção nacional precisou atuar para evitar que a movimentação avançasse.
No vídeo, Superman afirmou que continuará na disputa e citou apoios recebidos dentro e fora do Novo.
“Nós já visitamos mais de 50 cidades por várias regiões de Minas Gerais, 15 só na última semana. Mas a direita não é trouxa. A direita tem memória aqui em Minas Gerais e sabe quem é quem”, declarou.