O senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusou Flávio Bolsonaro (PL) de fugir do acordo para a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos candidatos. Durante entrevista coletiva nesta sexta-feira (23/10), Camilo afirmou que a campanha petista apresentou documentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enquanto o adversário teria descumprido o prazo combinado e condicionado a divulgação de seus dados a uma decisão judicial.
Segundo Camilo, Lula aceitou todas as exigências apresentadas por Flávio Bolsonaro, desde que o candidato do PL também autorizasse a abertura das informações solicitadas pelo presidente.
As equipes estabeleceram um prazo até as 23h59 de quinta-feira (22/10) para apresentar a documentação. O senador afirmou que a campanha adversária protocolou sua manifestação apenas às 0h17 desta sexta-feira.
“Nós nos surpreendemos hoje porque, primeiro, eles perderam o prazo. Só protocolaram à meia-noite e 17 minutos de hoje. Não entregaram absolutamente nada, apenas fizeram uma petição que parece mais uma carta, um panfleto de campanha”, declarou.
Campanha de Lula diz ter entregue documentos
Camilo afirmou que a equipe petista apresentou ao TSE documentos relacionados ao cartão corporativo da Presidência da República, às agendas de Lula e da primeira-dama e aos voos da Força Aérea Brasileira (FAB).
Também teriam sido entregues procurações e autorizações para acesso a informações bancárias, fiscais e telefônicas.
“Nós estivemos lá no TSE levando toda a documentação, inclusive o cartão corporativo, que já se encontra no Tribunal Superior Eleitoral, a agenda do presidente da República, os voos da FAB, a agenda da primeira-dama, tudo aquilo que foi possível disponibilizar de forma imediata”, afirmou.
O senador questionou as procurações apresentadas pela campanha de Flávio. Segundo ele, os documentos condicionam a divulgação das informações a uma decisão judicial do TSE.
“Ou seja, não é espontâneo. É só se o Tribunal Superior Eleitoral exigir que eles abram. Então, na nossa compreensão, eles fugiram”, disse.
Recurso ao TSE
Camilo informou que a campanha de Lula pediu ao ministro André Mendonça que reconsidere sua posição sobre a necessidade de intervenção judicial na divulgação dos dados.
O senador defendeu a participação de um magistrado para garantir a autenticidade dos documentos e impedir a divulgação seletiva de informações.
“Nós queremos que o ministro André Mendonça seja o árbitro desse processo e, se ele não quiser, nós vamos recorrer ao pleno para que algum ministro seja o árbitro”, declarou.
Caso o pedido não seja atendido, a campanha petista pretende recorrer ao plenário do TSE.
As acusações sobre o descumprimento do acordo foram feitas por Camilo Santana durante a coletiva. O material não apresenta uma resposta da campanha de Flávio Bolsonaro às declarações.