Rede 98 > Eleições 2026 > Governo Lula pede ação contra Meta e cobra restauração de contas e conteúdos nas redes sociais

Governo Lula pede ação contra Meta e cobra restauração de contas e conteúdos nas redes sociais

Por Igor Teixeira • Rede 98
17/10/2026 12:54 Atualizado há 2 horas
(Foto: Magnific)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recomendou ao Ministério Público Federal (MPF) a apresentação imediata de uma ação civil pública contra a Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, por falta de transparência na moderação de conteúdos durante as eleições de 2026. A proposta, encaminhada neste sábado (17/10), prevê a restauração de contas e publicações restringidas sem justificativa específica, além de multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento de eventual decisão judicial. A empresa nega interferência na disputa eleitoral e atribui os episódios relatados a problemas técnicos.

A recomendação consta de uma nota técnica da Secretaria Nacional de Direitos Digitais, vinculada ao Ministério da Justiça, encaminhada à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do MPF.

No documento, o secretário Victor Oliveira Fernandes afirma que os procedimentos utilizados pela Meta para limitar publicações e perfis não oferecem informações suficientes aos usuários nem às autoridades responsáveis pela fiscalização.

A manifestação ocorre após denúncias de organizações da sociedade civil e uma reportagem da Folha de S.Paulo revelar mensagens internas de funcionários da Meta que reconhecem restrições prejudiciais a contas ligadas à candidatura de Lula.

O governo recomenda que o MPF solicite à Justiça uma determinação para que a empresa restabeleça, em até 15 dias, contas, publicações e funcionalidades limitadas sem fundamentação específica.

A proposta também prevê multa diária de R$ 500 mil caso a empresa descumpra uma eventual ordem judicial.

Governo cobra revisão humana e justificativas para bloqueios

Além da restauração de conteúdos, o Ministério da Justiça defende medidas urgentes para impedir a suspensão de contas e a redução do alcance de publicações sem análise humana prévia em casos envolvendo veículos jornalísticos, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e entidades estudantis.

O documento recomenda ainda que a Meta seja obrigada a apresentar justificativas individualizadas para suas decisões de moderação, oferecer mecanismos de contestação e garantir a revisão dos casos por profissionais qualificados.

Outra proposta é exigir medidas para impedir a contratação de anúncios e impulsionamentos com conteúdos ilícitos.

Segundo o secretário, as denúncias recebidas apontam pelo menos seis problemas recorrentes na atuação da empresa, incluindo ausência de justificativas específicas, falta de análise do contexto das publicações, restrições de alcance pouco transparentes e respostas insuficientes às autoridades.

Fernandes também afirma que foram apresentadas pelo menos nove manifestações a seis autoridades em um intervalo de 13 dias, todas relacionadas à conduta da Meta durante o período eleitoral.

Entre os documentos mencionados está uma carta aberta da organização CTRL+Z, assinada por entidades da sociedade civil de 25 países, que pede o fim de decisões arbitrárias de moderação e a criação de mecanismos transparentes de contestação.

Meta nega interferência nas eleições

Em comunicado divulgado na sexta-feira (16/10), a Meta negou interferir nas eleições brasileiras e afirmou que os episódios apontados pela Folha de S.Paulo decorreram de incidentes técnicos.

O Ministério da Justiça, entretanto, considera insuficientes as explicações apresentadas pela empresa. Segundo a nota técnica, a Meta ainda não respondeu aos questionamentos relacionados à denúncia da CTRL+Z.

A recomendação foi encaminhada a um procedimento já aberto pela PFDC para investigar possíveis derrubadas indevidas de perfis e restrições desproporcionais a conteúdos eleitorais nas plataformas da Meta e do X, antigo Twitter.

A apresentação da ação civil pública ainda depende de avaliação do Ministério Público Federal. As medidas propostas pelo governo também precisam de autorização judicial para produzir efeitos.

Eleições 2026 Siga no Google News
Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.