O presidente e candidato à reeleição Lula (PT) afirmou, nesta quinta-feira (1º/10), que os conflitos entre ministros estão levando o Supremo Tribunal Federal (STF) a perder credibilidade perante a sociedade. Em entrevista ao Flow Podcast, o petista criticou a exposição das divergências pela TV Justiça, reclamou da duração dos votos dos magistrados e disse ter conversado com o presidente da Corte, Edson Fachin, para cobrar uma reação diante dos embates internos.
“O que está acontecendo está levando a Suprema Corte a perder credibilidade na sociedade”, afirmou Lula.
O presidente atribuiu parte do desgaste à transmissão dos julgamentos pela TV Justiça. Para ele, a exposição pública das divergências entre os ministros e a duração das manifestações prejudicam a imagem do tribunal.
“Depois que inventaram aquela TV Justiça para ficar divulgando aquela briga deles, cada um querendo fazer discurso de três horas, de duas horas, um voto mequetrefe que poderia durar cinco minutos, ele demora cinco horas para fazer um voto. Tudo isso depõe contra eles”, disse.
Lula diz ter cobrado Fachin
Durante a entrevista, Lula afirmou que procurou Fachin para falar sobre os conflitos entre integrantes do Supremo.
“Eu chamei o Fachin, eu conversei com o Fachin diversas vezes nesse processo todo. Falei: ‘Fachin, você não pode deixar a Suprema Corte ficar se degradando entre eles'”, declarou.
Lula também defendeu a autonomia entre os Poderes e afirmou que o presidente da República não deve interferir nas decisões do Supremo.
“O presidente da República, se ele quiser governar com tranquilidade, precisa respeitar primeiro a autonomia de cada Poder”, afirmou.
Segundo Lula, cabe ao STF resolver as próprias divergências. Ele classificou a Corte como guardiã da Constituição e afirmou que os ministros podem discordar entre si.
Flávio Dino
Lula também elogiou Flávio Dino, ministro indicado por ele ao STF, ao comentar decisões tomadas pelo magistrado.
“O Flávio Dino é um extraordinário ministro. Aliás, uma das pessoas cultas mais importantes que tem naquela Suprema Corte e o que tem mais conhecimento político”, afirmou.
O presidente disse, porém, que não interfere quando um ministro toma uma decisão com a qual ele eventualmente não concorda.
“Quando eles pedem vista, é um problema deles. Eles podem não concordar entre eles”, disse.
‘Eu não peço favor’
Lula também afirmou que não indica ministros do Supremo com a expectativa de receber favores e citou decisões tomadas contra seus interesses por magistrados escolhidos por ele.
“Eu não peço favor. Eu não indico ninguém em cargo nenhum para me fazer favor. Quero que você saiba disso. Isso é uma coisa de caráter”, afirmou.
O petista citou Dias Toffoli e lembrou que o ministro negou um pedido apresentado enquanto ele estava preso para deixar a prisão e acompanhar o velório do irmão.
“O Toffoli que eu indiquei foi o cara que negou eu sair da cadeia para ver meu irmão morto”, declarou Lula.
O presidente afirmou ainda que considera dever de qualquer autoridade se submeter a investigações caso cometa irregularidades.
“O meu papel é não cometer erro. Se eu cometer erro, eu tenho que ser investigado”, disse.